Análise: Luís Castro não consegue desarmar retranca e Botafogo não sai do zero contra o Atlético-GO

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Blog da Redação

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Luís Castro em Botafogo x Atlético-GO | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/Premiere

Faltou muito para o Botafogo conseguir um resultado melhor na noite de sábado (13/8). No empate sem gols com o Atlético-GO o time suou pouco, finalizou pouco, pensou pouco e, consequentemente, jogou pouco. Contra um adversário que parecia satisfeito com o empate, o Glorioso não foi capaz de controlar o jogo e pressionar em busca do gol. A expulsão de Philipe Sampaio no segundo tempo deixou tudo mais difícil. O resultado ruim deu sequência ao péssimo desempenho do time como mandante. A equipe venceu apenas um dos últimos cinco jogos dentro do Nilton Santos.

Ainda celebrando os 118 anos do futebol alvinegro, o torcedor ganhou boas notícias ao ver a escalação da equipe. A principal delas foi o retorno do lateral-esquerdo Marçal após desfalcar o time contra o Ceará. Victor também regressou depois de dois meses afastado por uma lesão nas costas. Outro regresso que colocou um sorriso no rosto dos alvinegros foi o do lateral-direito Rafael. Recuperado de uma ruptura no tendão de Aquiles que o afastou dos gramados por quase sete meses, o jogador começou a partida como opção no banco de reservas.

O treinador Luís Castro precisou lidar com a falta do meia Lucas Fernandes, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. A opção foi pela entrada do volante Oyama para compor o meio de campo com Tchê Tchê e Eduardo. Lucas tem sido o principal responsável pela criatividade da equipe – é o jogador que mais criou grandes chances de gol na equipe (3) – e sua ausência gerou preocupação pela escassez de opções para executar a mesma função. Oyama bem que tentou emular o papel do meia na equipe, jogando adiantado em relação a Tchê Tchê e chegando na área para finalizar. O volante, contudo, não tem a mesma capacidade de encontrar espaços mínimos na defesa para encaixar passes que colocam seus companheiros em boa situação.

Análise Botafogo x Atlético-GO

Outra novidade foi Matheus Nascimento entre os titulares, substituindo o artilheiro Erison. Com sete gols e uma assistência no campeonato, o centroavante é o jogador com mais participações diretas nos gols do Glorioso (Cuesta e Daniel Borges com três participações vêm em segundo lugar). Mas as limitações de posicionamento e leitura de jogo do Toro têm causado problemas para o jogador, que toma decisões ruins dentro de campo com frequência. O excesso de individualismo de Erison faz dele o terceiro jogador que mais perdeu a posse de bola no campeonato (94). Isoladamente, o número diz pouco. Por exemplo, Hulk é o líder da estatística com 102 perdas. Quem recebe muito a bola é desarmado muitas vezes. O ponto é o que o atleta produz quando tem a bola e o centroavante tem produzido pouco nos últimos jogos. São apenas dois gols e nenhuma assistência nos últimos dois meses.

Em teoria, Matheus oferece outra dinâmica ao ataque do Botafogo. Afeito a um jogo de mais envolvimento e menos combate físico, o atacante procura descolar dos zagueiros para receber a bola junto aos meias mais adiantados. Essa movimentação abre espaço para os pontas atacarem a profundidade em velocidade, gesto que Jeffinho busca a todo instante. Mas com a defesa adversária em linhas bem recuadas, os espaços não apareceram e Matheus foi o jogador de linha com menos posse de bola no primeiro tempo. Faltaram mecanismos coletivos para desequilibrar o sistema defensivo. Muito espaçada, toda a criação da equipe dependeu de iniciativas individuais: uma arrancada de Eduardo, um drible de Jeffinho… e quase nada saiu daí. Duas finalizações de Oyama de fora da área, que não exigiram muito de Renan, e um bom chute de Jeffinho foram os únicos do time na direção do gol na primeira etapa.

Sem encontrar caminho por dentro para romper a bem organizada defesa do Atlético, a única opção ofensiva do Botafogo foram os cruzamentos. E foram muitos. Na primeira etapa, 17 bolas levantadas na área e apenas duas encontraram um jogador alvinegro. Marçal, com sete cruzamentos errados, e Daniel Borges, cinco, foram os que mais desperdiçaram a bola neste tipo de jogada. O padrão de cruzamentos adiantados da intermediária contribuiu para os erros. Soma-se também a atuação apagada de Victor Sá, que levou a pior em todos os cinco duelos nos quais se envolveu e errou o único drible que tentou. A falta de uma opção de ataque confiável pelas beiradas do campo que atacasse a linha de fundo com consistência limitou dificultou o trabalho de abrir a defesa goiana.

Castro procurou mudar Sá e Jeffinho de lados. Ambos rendem melhor no lado esquerdo, conduzindo a bola com a perna direita em direção ao gol. No início do segundo tempo, Luis Henrique entrou no lugar de Victor Sá e Jeffinho voltou para o lado esquerdo do ataque. Erison também foi para campo tentar na base da força balançar a defesa. Os planos do treinador foram prejudicados pela expulsão de Philipe Sampaio aos 16 minutos da etapa final. O zagueiro mostrou mais uma vez sua principal fragilidade, o combate em campo aberto contra jogadores de velocidade. Adryelson entrou no lugar de Oyama, fez sua estreia com a camisa do Glorioso e chamou atenção na firmeza das ações defensivas. Em 31 minutos, conseguiu um desarme e duas interceptações

Durante todo o jogo, o Atlético procurou o contra-ataque e um jogo de velocidade. Criou boas chances e obrigou Gatito a fazer uma boa defesa. Mesmo com um jogador a mais, os goianos não se lançaram ao ataque e mantiveram a organização defensiva. O Botafogo reorganizou-se em um 4-4-1 sem a bola que virava 4-2-3 com a posse. Eduardo, que fazia um jogo discreto, chamou a responsabilidade e apareceu bastante após a expulsão. O time tentou aproximar as peças, mas continuou dependente de jogadas individuais. Eduardo tentou, Jeffinho tentou, Luis Henrique tentou, mas o gol não saiu.

Análise Botafogo x Atlético-GO

O Botafogo viaja até Caxias do Sul para enfrentar o Juventude no próximo domingo (23), às 11h. Lanterna do campeonato, o time gaúcho registra duas vitórias, três empates e seis derrotas no Alfredo Jaconi – o pior desempenho como mandante(27%) entre as 20 equipes da Série A.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 52% x 48% ATL
Passes certos – BOT 358 (87%) x 312 (87%) ATL
Finalizações – BOT 13 (5 no gol) x 10 (4) ATL
Desarmes – BOT 10 x 18 ATL
Interceptações – BOT 8 x 2 ATL
Rebatidas – BOT 8 x 42 ATL
Cruzamentos – BOT 6/26 (23%) x 1/12 (8%) ATL
Lançamentos – BOT 6/19 (32%) x 9/22 (41%) ATL
Viradas de jogo – BOT 3 x 4 ATL
Dribles – BOT 3 x 1 ATL
Perdas de posse de bola – BOT 29 x 20 ATL
Faltas – BOT 18 x 10 ATL
Cartões amarelos – BOT 2 x 3 ATL
Cartões vermelhos – BOT 1 x 0 ATL

Fonte: Redação FogãoNET

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