Análise: em nova derrota do Botafogo para o América-MG, Castro procura soluções, mas parece perdido e abatido

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Blog da Redação

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Elenco em Botafogo x América-MG | Copa do Brasil 2022
Reprodução/Premiere

Na noite de quinta-feira, a torcida alvinegra criou ambiente para a virada, mas o Botafogo não foi capaz de se impor contra o América-MG. O time saiu derrotado por 2 a 0 no Nilton Santos, com um resultado total de 5 a 0 no agregado. Mudança tática, começo promissor e intensidade ofensiva sucumbiram à velocidade dos contra-ataques adversários, amplificados pela péssima atuação defensiva da equipe. Sem conseguir tirar o melhor desempenho dos jogadores em campo, o treinador Luís Castro foi alvo de vaias das arquibancadas.

A necessidade de reverter a larga vantagem conquistada pelo time mineiro no jogo de ida fez Castro abrir mão dos três zagueiros. Mais que conseguir a remontada e alcançar a improvável classificação, era fundamental apresentar o desempenho e a postura esperada pelo torcedor. Impor um estilo de jogo ofensivo e mostrar um mínimo equilíbrio defensivo eram os desafios do Glorioso. Já a classificação passaria por um vitória por, no mínimo, três gols de diferença. Por três vezes o Botafogo venceu por margem de três gols na temporada (Volta Redonda e Ceilândia, duas vezes). Também por três vezes o América perdeu por três gols em 2022 (Del Valle, Santos e Flamengo).

Sem contar com Victor Cuesta, Kanu foi o escolhido para formar a defesa com Joel Carli. A opção pelo zagueiro, e não por Philipe Sampaio, passou pela capacidade de Kanu fazer o lado esquerdo do miolo de zaga e sua maior mobilidade. Certamente, o plano de jogo de Vágner Mancini seria explorar os contra-ataques e Castro teve que preparar a defesa para defender em transição. No meio-campo, Tchê Tchê ganhou nova oportunidade de mostrar que pode contribuir para a equipe. A novidade foi o retorno de Gustavo Sauer ao time, fazendo o lado direito do ataque alvinegro. Depois de apenas quatro jogos e mais de dois meses afastado por lesão, havia expectativa na torcida pelo rendimento do meia.

Análise Botafogo x América-MG

O jogo

Empurrado pelas arquibancadas do Nilton Santos, que criaram um ótimo clima de apoio para o time, o Botafogo foi para cima do adversário. O 4-2-3-1 proposto por Castro logo se mostrou uma escolha acertada. A organização com Sauer e Vinícius Lopes nas beiradas buscando as diagonais para o centro do campo deu mais companhia a Erison. Lucas Fernandes teve liberdade de movimentação para ajudar o time a criar superioridade numérica em ambos os lados. O deslocamento do meia também abriu espaço para infiltrações de Patrick de Paula e Tchê Tchê.

Com intensidade na troca de passes e boa movimentação, o Botafogo entregou o esperado no ataque. Nos primeiros 20 minutos, o Alvinegro teve 65% da posse de bola e conseguiu oito finalizações. Lucas Fernandes teve a melhor chance em chute da entrada da área aos nove minutos. No entanto, a grande dificuldade da equipe foi o balanço defensivo. Apesar do bom desempenho ofensivo, o time não conseguiu ter o controle do jogo e o América causou tormentos com seus jogadores de velocidade.

Aos 14 minutos, depois de erro de Kanu na saída de bola, Gatito salvou o que seria o primeiro gol americano. Aos 21, Vinícius perdeu a bola no meio-campo, Saravia foi muito mal na marcação e o adversário fez 1 a 0, aumentando ainda mais a vantagem. O lateral argentino não foi mal somente na jogada do gol e não foi capaz de encontrar Pedrinho em campo, mostrando muitos problemas em sua abordagem defensiva. O gol mexeu com a torcida, mudou o ambiente no estádio e abalou o frágil emocional da equipe. Frustrados, os alvinegros se perderam em reclamações excessivas e jogaram pouco futebol no restante do primeiro tempo.

Análise Botafogo x América-MG

Sem novidades, aos 26 minutos o Botafogo perdeu mais um jogador por lesão. Patrick de Paula sentiu lesão muscular na coxa e deixou o gramado aos prantos. No tudo ou nada, Castro colocou Matheus Nascimento no lugar do volante. A substituição recuou Lucas Fernandes e deixou a equipe em uma espécie de 4-2-4 que aumentou a presença alvinegra na área, mas esvaziou o meio-campo, prejudicou a criação e deixou o sistema defensivo ainda mais exposto. Matheus entrou bem no jogo, com ótimo aproveitamento nos duelos individuais encarando a defesa de frente ou sustentando a pressão nas costas.

No intervalo, duas alterações. Sauer não suportou mais de 45 minutos e foi substituído por Jeffinho. Com cartão amarelo e exposto na defesa, Carli deixou o campo para a entrada de Philipe Sampaio. O Botafogo voltou para o segundo tempo com a cabeça no lugar e disposto a jogar bola, mas seguiu esbarrando em limitações individuais e coletivas. As melhores chances surgiram do talento de Matheus Nascimento. Erison tentou bastante, mas pecou pelo excesso de individualidade e desperdiçou muitos ataques.

O América parecia ter o jogo sob controle. Ficou mais com a bola na segunda etapa, tirando a velocidade do jogo, e continuou perigoso nos contra-ataques. Assim, chegou ao segundo gol com o imparável Pedrinho aos 15 minutos. Em lance semelhante ao primeiro gol, Jeffinho perdeu a bola no meio-campo, Hugo não fez a falta e o ponta americano passou com facilidade por Sampaio. O zagueiro voltou a mostrar muita lentidão e dificuldade no combate mano a mano.

Análise Botafogo x América-MG

Já sem perspectiva de classificação e sob protestos da torcida, o restante do jogo seguiu em clima de velório. Jeffinho e Matheus continuaram tentando muito, mas de forma totalmente voluntarista, sem qualquer organização coletiva. O Glorioso conseguiu um grande número de desarmes (21), mas criou pouco a partir das retomadas da posse de bola. Mais uma vez, não faltaram entrega e vontade, faltou futebol.

Agora, o Botafogo vai receber o Atlético-MG no próximo domingo (17), às 18h, no Nilton Santos. O Galo chega pressionado pela eliminação na Copa do Brasil. O Glorioso vai tentar repetir os bons resultados recentes contra times do G4 do Brasileirão.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 58% x 42% AME
Passes certos – BOT 430 (92%) x 257 (84%) AME
Finalizações – BOT 22 (11 no gol) x 11 (6) AME
Assistências para finalização – BOT 18 x 8 AME
Desarmes – BOT 21 x 10 AME
Interceptações – BOT 4 x 3 AME
Rebatidas – BOT 24 x 30 AME
Cruzamentos – BOT 6/22 (27%) x 6/13 (46%) AME
Lançamentos – BOT 8/28 (30%) x 11/34 (32%) AME
Viradas de jogo – BOT 0 x 4 AME
Dribles – BOT 6 x 9 AME
Perdas de posse de bola – BOT 28 x 24 AME
Faltas – BOT 12 x 13 AME
Cartões amarelos – BOT 3 x 2 AME

Fonte: Redação FogãoNET

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