Sabemos que todas as nossas energias estão canalizadas para o jogo do próximo dia 13, contra o Grêmio, pela Libertadores. Entretanto, ainda estamos engasgados com aquela derrota para o Flamengo nas semifinais da Copa do Brasil. Sim, foi há uma semana, mas aqueles ataques ferrenhos à postura do técnico Jair Ventura, alguns até chamando de “time de covardes”, incomodou muito!

Por isso, podemos defender Jair (em parte) de novo? Quatro dias depois daquela atuação medíocre contra o nosso maior rival, o Botafogo fez um grande jogo contra o Bahia, tomando a iniciativa do jogo, tendo 60% da posse de bola, uma postura que muitos queriam que tivesse sido adotada contra o Flamengo. Aí está a questão: Jair não tinha jogadores para isso.

Como o regulamento não permitiu a inscrição de novos jogadores, peças que poderiam auxiliar Jair não puderam jogar – como Marcos Vinicius, Leo Valencia e, principalmente, Arnaldo, que comprovadamente está em melhor fase do que Luis Ricardo (bom jogador, mas ainda claramente sem ritmo após a grave lesão que sofreu). Para piorar, o técnico não pôde contar com Carli (não fez tanta falta, porque Marcelo é ótimo zagueiro) e Rodrigo Pimpão. Esse sim. Pimpão hoje é um jogador quase que insubstituível no elenco pela função tática que faz.

Jair Ventura - Botafogo (FOTO: Vitor Silva/SSPress/BFR)Jair recebeu muitas críticas após a derrota para o Flamengo (FOTO: Vitor Silva/SSPress/BFR)

Isso tudo sem contar com o fato de que o clube desfez-se de Camilo, um jogador que hoje está na reserva do Internacional e que com certeza ajudaria-nos bastante, pois faz bem a função de segundo-atacante, encostando em Roger, ajudando no combate e auxiliando Pimpão, que faz uma função de meia-esquerda. Camilo poderia ter sido o substituto de Pimpão neste jogo.

Sem estas peças todas, Jair ficou sem opções e acabou colocando Guilherme para fazer mais o lado esquerdo. João Paulo, que rende muito melhor mais preso na faixa central, caindo um pouco mais pelo lado esquerdo (como foi contra o Bahia), teve de jogar um pouco mais avançado para não deixar Roger tão isolado, mas decididamente ele não sabe fazer esta função.

Formação inicial do Botafogo contra o Flamengo: sem muitas alternativas, Jair colocou João Paulo mais avançado, e meio-de-campo não funcionou

Sem poder de criação, restou ao Botafogo de Jair se defender bem e esperar uma eventual disputa de pênaltis, onde certamente Gatito garantiria a nossa passagem para a final. Entretanto, a jogada improvável de Berrío sobre o ótimo Victor Luis acabou se transformando no gol da nossa eliminação.

O que Jair poderia ter feito, de repente, era optar por Gilson no lugar de Guilherme, fazendo a meia-esquerda que Rodrigo Pimpão faz e atacando eventualmente. Acho que é a única crítica possível de ser feita. Mas ficou para trás, Jair tem muito crédito e foi elogiado até mesmo por Tite como um dos melhores técnicos do país na atualidade.

Contra o Bahia, Marcos Vinicius encostou em Roger, e o Botafogo manteve a estrutura vitoriosa, com João Paulo mais preso no meio iniciando as jogadas e Pimpão fazendo o lado esquerdo

Voltando ao jogo contra o Bahia, Jair teve o retorno de Pimpão, mas não teve Matheus Fernandes, lesionado. Assim, promoveu a entrada de Marcos Vinicius, que apesar de não ter feito bom jogo atuou mais encostado em Roger, mantendo a estrutura do time de forma organizada com Pimpão na esquerda, João Paulo e Lindoso no meio e Bruno Silva na direita. Deu certo.

O que podemos levar de lição para o primeiro jogo contra o Grêmio? Jair terá todas as peças à disposição, à exceção de Victor Luis, expulso contra o Nacional – e a preocupação em relação a Carli, que sentiu o posterior. Diante de uma equipe mais qualificada que o Bahia e jogando em casa, qual estratégia adotar? Acredito que mantendo a estrutura tática que deu tanto certo nos jogos da pré-Libertadores e da fase de grupos podemos avançar. O jogo do Bahia pode ser um bom modelo.

Já fez seu check-in e garantiu seu lugar no jogo do dia 13? Não é sócio ainda? Então associe-se logo e vamos empurrar o Fogão rumo ao sonho de conquistar a América. Eu acredito. O Botafogo somos nós!

Saudações alvinegras!