Em todas as entrevistas coletivas que concedeu desde que foi apresentado, o técnico Eduardo Barroca explicou que só vai conseguir dar sua cara à equipe do Botafogo mesmo durante a parada para a Copa América, nos meses de junho e julho. Até lá, o Botafogo terá seis jogos. Mas é preciso que o comandante alvinegro mude um pouco suas convicções antes disso.

É claro que não estamos no dia-a-dia do clube, não vemos os treinamentos (aliás, ninguém vê, pois são fechados em sua maioria, algo comum hoje em todos os times) e, por isso, não sabemos se esse ou aquele jogador está treinando mal. Mas o que fica claro é que o Botafogo precisa de um pouco mais de profundidade, de verticalidade, para conseguir conquistar mais vitórias.

Mesmo nas partidas contra Fortaleza e Fluminense, que terminaram com vitória alvinegra, o Botafogo apresentou muitas dificuldades para criar. Tocou, tocou, ficou com a bola, mas pouco produziu. Diante do Goiás, na derrota deste domingo no Serra Dourada, foram pouquíssimas as chances criadas. Na formação inicial em Goiânia, apenas Erik tinha velocidade para quebras as linhas.

É aí que é preciso mudança. O Botafogo necessita de mais jogadores para quebrar a linha, cortar a defesa em velocidade. Se não tiver isso, vai ficar 90 minutos com a bola sem furar a zaga adversária.

Formação com Leo Valencia titular no lugar de Cícero

Estamos propondo aqui uma reflexão: nesse primeiro modelo (acima), o chileno Leo Valencia – tão criticado por muitos – entraria na segunda linha de quatro, atuando pelo lado esquerdo. Com a bola, seria quase que como um ponta-esquerda mesmo, com Erik na direita. Sem a bola, ajudaria Jonathan na marcação.

Leo Valencia não é um jogador de primeiríssima linha e tem a resistência de boa parte da torcida, mas é rápido, finaliza bem de fora da área e é excelente nas bolas paradas – seja nas cobranças de falta, seja nas batidas laterais de falta ou escanteio. Sabe fazer aquela bola rápida. E é veloz, pode abrir espaços – coisa que Cícero, que vem sendo titular, está longe de fazer.

Opção com Erik na frente e Leo Valencia e Luiz Fernando abertos, com Jean na “volância”

A segunda alternativa (acima) seria quando Diego Souza, ainda visivelmente fora de forma, não pudesse atuar, de repente para jogos fora de casa, quando é necessária uma equipe mais reativa. Luiz Fernando e Leo Valencia seriam como pontas, e Jean entraria ali na cabeça da área, soltando Bochecha e, principalmente, Alex Santana para chegar e finalizar.

Ah, perceberam que nas duas escalações voltamos com Marcinho na lateral direita? Ficou visível que não é a hora ainda para o jovem Fernando, que carece de mais rodagem e pode entrar na equipe aos poucos.

Um adendo: essa reflexão rebate um pouco a tese sempre defendida pela grande imprensa de que o elenco do Botafogo é “limitado”. Não acreditamos muito nisso – a única posição realmente carente hoje (levando em conta nossas condições financeiras) é a lateral direita e de repente mais uma opção de centroavante. Dá para variar o esquema, há jogadores mais lentos e mais técnicos, outros mais velozes. Há opções que nem foram citadas neste texto, como Gustavo Ferrareis e Rodrigo Pimpão.

Continuemos dando todo o apoio a Eduardo Barroca, mas algumas coisas precisam mudar – ainda que isso demande tempo. E tempo é algo que, por ora, será escasso. O Botafogo terá seis jogos em 22 dias (Sol de América, Palmeiras, Sol de América, Vasco, CSA e Grêmio) até a pausa para a Copa América. De qualquer forma, fica aí o tema para a torcida alvinegra debater.

Saudações alvinegras!