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A ‘SAF 2.0’ de John Textor e sua tentativa de entrar no coronelismo de General Severiano

Ricardo Azambuja

Por: Ricardo Azambuja

- Atualizado em

A ‘SAF 2.0’ de John Textor e sua tentativa de entrar no coronelismo de General Severiano
Damien LG/OL

Não faz tanto tempo e uma crítica ao John Textor era feita de maneira quase unânime: ele claramente não escolhia as melhores batalhas e não sabia “jogar o jogo”. Vimos o Textor peitar a Ferj e a CBF, tendo ambas as peitadas rendido retaliações não somente ao Textor, mas também ao Botafogo. Pois bem, anos se passaram e a entrevista do Textor ao “Canal do Anderson Motta” mostrou que ele não somente aprendeu como se joga o jogo, mas também como fazer isso com uma excelência que somente os que acreditam que os fins justificam os meios conseguem.

A sugestão de uma “SAF 2.0”, com a participação do clube social e de organizadas, é uma das maiores bizarrices que tive o desprazer de acompanhar na minha relação com o Botafogo. Ao usar ingressos e a promessa de recursos através do aumento da participação acionária do clube social na SAF e da posterior venda desse percentual adicional, Textor se alinha à tradição nefasta do coronelismo brasileiro. Qual a diferença disso para os políticos que só se importam com a população em época de eleição? Qual a diferença disso para os que prometem empregos públicos em troca de apoio? Qual a diferença disso para os que usam as benesses concedidas para cobrar apoio em futuras votações?

Quem, assim como eu, gosta de história sabe muito bem como essa tradição brasileira impactou negativamente os rumos da nossa sociedade no passado e como ela vem sendo “modernizada” para que continue garantindo poder e privilégios a uma elite que só faz aumentar as desigualdades, manter o status quo e fazer tudo isso a qualquer custo. O Textor identificou que, dentro do clube social, existem personagens que amam os holofotes e valorizam cada mínima chance de obter algum tipo de influência ou poder.

Alguns de vocês vão me dizer que política é isso mesmo, mas eu devolvo essa afirmação com a noção de que é possível, sim, fazer política através de um alinhamento que busque benefício real e orgânico, principalmente para quem mais precisa — que, no nosso caso, somos nós, os torcedores, e obviamente o próprio Botafogo.

Essa bizarrice proposta pelo Textor expôs ainda mais a fragilidade dele e o apego ao poder, não importando os meios utilizados para obtê-lo. Uma das principais premissas para que uma SAF funcione é tornar a administração totalmente profissional e, por conta do evidente desespero, Textor resolveu sugerir uma aberração administrativa cujo principal objetivo não é fazer o melhor para a SAF, mas sim satisfazer os egos gigantescos daqueles que o próprio Textor escolheu como sua possível tábua de salvação.

Ao meu ver, essa última cartada do Textor precisa funcionar como um colírio nos olhos dos que ainda o viam como a melhor escolha para o Botafogo.

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