Autuori não é mais nome de remédio. Os mais novos devem estar estranhando essa minha frase. Alguns que acompanharam o trabalho dele em 1995 também talvez não entendam, traídos pela memória. Logo ao chegar ao Glorioso em 1995 o treinador participou de um programa de televisão domingo à noite. Um dos integrantes da mesa, uma semana antes, havia dito que o Botafogo não iria mais longe apostando em um treinador que tinha nome de remédio: “Me vê a bula do Autuori aí”, brincou o repórter tentando ser engraçado.

No dia do programa Paulo Autuori foi perguntado por esta mesma pessoa se estava no Botafogo em busca de fama, de prestígio. Ouviu uma resposta para ficar calado: “Não procuro prestígio, pois o mesmo é passageiro. O mais importante é o respeito. Disso sim eu não abro mão”.

O engraçadinho repórter, rubro-negro de carteirinha, teve que dormir com essa. Além disso, alguns meses depois ainda engoliu o título brasileiro goela abaixo. Entretanto, não melhorou muito sua maneira de lidar com entrevistas.

Autuori conquistou o respeito com muito trabalho

Hoje Paulo Autuori já tem o respeito que um dia foi buscar no Botafogo. É respeitado dentro do clube e em vários lugares, inclusive fora do Brasil. Muito por conta da maneira como agiu em situações como a encontrou em 1995, com atrasos salariais e brigas entre jogadores. Acabou campeão.

Realmente 1995 ficou na memória. Entretanto, não se deve esperar dele milagres ou o mesmo desempenho de 1995. Pelo menos não com o atual elenco. Mas ele tem pelo Botafogo algo que costuma render bons trabalhos: gratidão. Que ele possa ser um remédio para essa fase de recuperação do Botafogo. Fica a nossa torcida.