Carlos Eduardo Sangenetto
05/07/2017
Rio de Janeiro (RJ)

Ficar no bico seco ou arriscar uma cervejinha gelada ou um bom vinho? O teste do bafômetro aplicado nos estádios do Uruguai sempre levanta esta dúvida entre os estrangeiros que vão ao país para assistir a um jogo de futebol. Não será diferente com os torcedores do Botafogo, que nesta quinta-feira vão acompanhar a partida contra o Nacional-URU, válido pela ida das oitavas de final da Libertadores, no Gran Parque Central.

Como o FOGÃONET é o site do torcedor alvinegro, o Boletim do C.E tratou de tentar sanar algumas das principais dúvidas para garantir uma noite sem problemas em Montevidéu, como aquela que alguns tricolores ficaram barrados no Centenário, em abril, e não puderam assistir ao duelo contra o Liverpool-URU. Consultamos o cirurgião-geral botafoguense Pedro Neves, que estudou o caso e já adiantou:

– Deve-se sempre fazer um planejamento de quando começar e quando parar de beber. O melhor a ser feito é “interromper os trabalhos” o quanto antes.

Torcedores do Botafogo tomam cerveja no embarque para o Uruguai

Botafoguenses Gustavo Mariozzi e Leonardo Felix no “aquecimento” antes do embarque para o Uruguai (Foto: Arquivo pessoal)

O máximo permitido pelo controle do bafômetro uruguaio é 0,5 mililitros de álcool no sangue. Mas o que isso quer dizer na prática? A torcida do Fogão quer saber: “Pode beber?”. Poder até pode, mas com muita moderação. Acredita-se que, em condições normais, uma dose de álcool seja metabolizada pelo organismo, no fígado, em média, em uma hora. Portanto, existe um cálculo aproximado, mas alertas são dados, principalmente para as mulheres e para quem possui um problema de saúde específico:

– Os torcedores podem usar essa média de tempo para entrar no estádio. Vale destacar que beber de estômago vazio pode fazer os efeitos aparecerem mais rapidamente e indivíduos com doenças hepáticas associadas também podem aumentar o tempo de absorção, assim como o corpo feminino, que, de forma geral, demora mais para “se livrar” do álcool – ressalta Dr. Pedro.

Está tudo claro ou ainda está confuso? Quanto mais ler sobre o assunto é melhor, né? Então confira abaixo outros trechos da entrevista com o médico!

O botafoguense pode beber no dia do jogo ou é melhor não arriscar?

– Tudo depende da quantidade de álcool ingerida e do tempo aguardado. Em média, 1 dose de álcool (1 copo de cerveja, 1 taça de vinho ou uma dose pequena de destilado) demora 1 hora para ser absorvida. Mas como o limite é tênue e dificilmente os torcedores conseguem ficar apenas no primeiro copo/dose, o ideal, então, é não arriscar. É importante lembrar que a taxa de absorção pode variar de indivíduo para indivíduo, não podendo garantir 100% que em todos teremos essa regra se aplicando fielmente.

Mulher segura vinho com as mãos em restaurante. Torcedores do Botafogo podem beber?

Uma taça demora 1 hora para ser absorvida em condições normais (Foto: Pexels)

Bom, vamos ser práticos com uma situação específica. Não tenho nenhuma doença no fígado e estou com a saúde em dia. É tranquilo tomar um vinho ou uma cerveja na hora do almoço?

– Uma ou duas cervejas às 13h metabolizam até a hora do jogo em condições normais.

“Putz! Pintou a dúvida, acho que perdi a linha! Será que vou ser pego?” Há algum alimento, bebida, atividade ou outro fator que ajude a “mascarar o bafômetro” ou diminuir o teor alcoólico no sangue? Caso exista, quanto tempo antes da verificação é necessário colocar o plano em prática?

– Infelizmente não existe nada que se possa fazer para acelerar o metabolismo do álcool no organismo. Algumas crenças populares como ingerir café, tomar um banho gelado ou mascar chiclete não conseguem diminuir o teor de álcool no sangue ou no ar alveolar. O que se deve fazer é esperar o tempo necessário. O melhor plano a ser posto em prática é interromper os trabalhos o quanto antes!

Torcedores do Botafogo tomam cerveja em Montevidéu, capital do Uruguai

Irmãos cariocas e alvinegros Bruno e Márcio Fernandes, da Barra da Tijuca, já abriram os trabalhos em Montevidéu (Foto: Arquivo pessoal)

Como o médico alvinegro que curte uma cervejinha e entende seus efeitos iria se comportar? Deixaria para comemorar ou afogar as mágoas apenas depois do jogo?

– A gente sabe que é difícil acompanhar jogos decisivos sem uma cervejinha. Afinal ela consegue aliviar um pouquinho a nossa tensão. Deve-se sempre fazer um planejamento de quando começar e quando parar de beber, de acordo com a quantidade. Sabendo que é difícil essa autodisciplina, o melhor é esperar para comemorar após o jogo num bom bar de Montevidéu. Afogar as mágoas nesse caso não é opção! Venceremos! Saudações alvinegras!

Dr. Pedro Neves é médico formado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), cirurgião geral e videolaparoscópico graduado pelo Hospital Federal Cardoso Fontes e Hospital Universitário Gaffree e Guinle. Atualmente, cirurgião do Hospital Federal Cardoso Fontes e Hospital Municipal Lourenço Jorge. Atende na Taquara, Rio de Janeiro. CRM 52981125.

Tulipas de cerveja e Botafogo