O plano de negócios do Botafogo S/A para sua empresa tem algumas diretrizes para gestão para mostrar aos investidores. Entre os pontos, foi traçada a necessidade de o clube se transformar em vanguarda no mercado nacional de futebol, transformar a divisão de base em referência para vender jogadores e grandes gastos serem aprovados por um conselho de investidores. Esse são alguns dos itens identificados como necessários para alavancar receitas e com isso dar retorno a quem investir no clube.

O Botafogo anunciou nesta semana que o plano de negócios está em revisão. De fato, estão sendo traçados detalhes antes da apresentação definitiva aos investidores. A maioria daqueles interessados em botar dinheiro no clube, no entanto, já sabem da estratégia geral para serem remunerados.

Além do maior problema da dívida de R$ 750 milhões, um das questões que tem de ser resolvidas é a estagnação de receitas do Botafogo nos últimos anos. Em 2012, o clube tinha receita de R$ 122 milhões, corrigido pela inflação fica em R$ 171 milhões. No ano passado, fechou em R$ 183 milhões. Enquanto, houve clubes no período que dobraram suas rendas.

Para alavancar as receitas, o plano de negócios propõe que o Botafogo se reposicione no mercado do futebol como um clube vanguardista, inclusive porque virá a se tornar o primeiro grande a virar empresa (há uma discussão sobre isso porque o Bahia já foi empresa). A visão é que atualmente o clube alvinegro é visto como um clube antigo e não é relevante nas discussões nacionais, como legislações, ligas, discussões de contratos de todos os clubes, etc. Um exemplo é o Athletico-PR que, com torcida menor, tornou-se relevante nos debates nacionais.

Outra questão apontada nas diretrizes do plano é a necessidade de o Botafogo reformular sua divisão de base e dar credibilidade a esta. O clube alvinegro é um dos que menos arrecada com venda de atletas. Revela pouco e vende mal. É necessário, portanto, primeiro passar a produzir mais jogadores e depois demonstrar ao mercado que os jogadores produzidos no clube são confiáveis. Um exemplo neste caso é o São Paulo, clube que mais negocia atletas no país.

Pelo plano de negócios, os investidores vão compor um grupo para definir as estratégias da gestão do clube. Isso vale para decisão importantes como a contratação de um CEO, de um diretor de futebol ou de um investimento alto em contratação. Teoricamente, operações de dia a dia seriam tocadas pelos executivos. Mas os detalhes de como vai ocorrer essa administração ainda será feita nas regras de governança da empresa.

Esportivamente, ainda não há metas traçadas, fora o óbvio que é sobreviver na Série A em 2019 para tornar viável o projeto. Depois disso, os investidores deverão priorizar o retorno do investimento ou performance esportiva. No plano de negócios, são traçados cenários diferentes, com direitos internacionais do Brasileiro, com recursos de apostas, com o projeto de clube-empresa aprovado ou não.

O dinheiro inicial previsto para resolver o problema das dívidas é R$ 350 milhões para pagar dívidas e ter algum dinheiro para investir no futebol. Na administração das dívidas, uma empresa está encarregada de levantar quanto o clube pode economizar ao oferecer mais dinheiro para os credores à vista. Certo é que os débitos continuam com o Botafogo clube, assim como continuarão válidas as penhoras sob dívidas.

Com o plano de negócios consolidado, o Botafogo vai chamar os investidores que se mostraram interessados para confirmar quanto cada um pretende colocar em recursos. A partir daí, serão chamados os credores para a negociação. E, no fim do ano, se tudo correr como previsto, será feita a transferência dos direitos esportivos do clube para a empresa.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos - UOL