O Botafogo tem um dia crucial para fechar com o marfinense Yaya Touré. O meio-campista, de 36 anos, estará frente a frente com Carlos Augusto Montenegro, membro do comitê gestor do futebol alvinegro, nesta quinta-feira, em Paris.

Ao longo da semana, o Botafogo enviou uma proposta ao jogador, e os termos serão discutidos pessoalmente. Montenegro estava em Cingapura, durante suas férias, mas redirecionou a rota para a França diante da possibilidade de fechar o negócio com Touré.

No clube, há otimismo em relação à reunião, mesmo que seja necessário esperar mais um dia para aparar todas as arestas do negócio. Até o técnico Paulo Autuori falou diretamente com o jogador.

— O papo foi reto, quis mostrar a realidade do Brasil como país, a do Rio como cidade. O ridículo calendário brasileiro que temos, e como o jogador às vezes não consegue se preparar corretamente. Mostrei a situação real. Porque amanhã ou depois, se concretiza, ele sente que nós não falamos a verdade. Isso tem que ser falado de maneira real. Ele falou que está muito animado e ficou feliz com a nossa conversa — disse o treinador, após a classificação na Copa do Brasil diante do Náutico.

Como já disse o presidente Nelson Mufarrej, o Botafogo precisa fazer uma engenharia para captar recursos e viabilizar a contratação. O youtuber e empresário Felipe Neto e o comediante Marcelo Adnet estão envolvidos, mas não para custear salários. A ideia é que eles colaborem com o valor da comissão do empresário Marcos Leite, que faz a intermediação da negociação.

O agente é o mesmo que fez a ponte entre Botafogo e Honda. Yaya Touré pode se juntar ao japonês em um meio-campo que nenhum botafoguense imaginou. O marfinense, que tem três Copas do Mundo no currículo, está sem clube desde que deixou o Qingdao Huanghai, clube da segunda divisão da China, ano passado.

Touré teve seu auge atuando por Barcelona e Manchester City. A saída do clube catalão rumo à Inglaterra se deu por problemas de relacionamento com o técnico Pep Guardiola. Mas ambos se reencontraram no City na reta final da passagem de Touré, na temporada 2017-2018.

O modelo de contrato compatível com as finanças do Botafogo parte de um salário relativamente baixo. Como foi com Honda, estipula-se cláusulas de produtividade, envolvendo a participação do jogador em eventuais receitas de patrocínio e vendas de produtos.

A diretoria do Botafogo assegura que não vai estourar o limite de gastos com jogadores. O orçamento de 2020 foi aprovado na terça-feira. A previsão geral é de receitas de R$ 229 milhões e despesas de R$ 126 milhões.

O documento traz projeções ousadas para o desempenho desportivo em 2020, como chegar às oitavas de final da Copa do Brasil, ficar no G6 do Brasileirão e ser vice-campeão carioca. Por isso contratar, sem fazer loucuras, nomes como Yaya Touré e Honda faz sentido.

— É fundamental que o gasto forme uma equipe eficiente, que traga dinheiro. Também não adianta gastar pouco e continuar a trazer nada. O Botafogo não tem margem para arriscar. É bala única. Ela tem que funcionar — explicou ao GLOBO o vice de finanças do Botafogo, Luiz Felipe Novis.

Ao mesmo tempo em que busca nomes de peso no exterior, o Botafogo espera vender jogadores por valores significativos, totalizando R$ 62 milhões.

A diretoria entende que o ano de 2019 foi complicado por causa de dificuldades de fluxo de caixa com a mudança do sistema de pagamento dos direitos de transmissão. Contas atrasaram. Quando o dinheiro caiu na conta, o clube se viu atolado em penhoras. Além disso, não houve geração de novas receitas, como patrocínio. Ano passado, o Botafogo ficou em 14º no Brasileiro, contrapondo a meta de terminar em oitavo. A má atuação abalou receitas com sócio-torcedor e bilheteria.

Fonte: O Globo Online