A nova diretoria do Botafogo – liderada pelo empresário Carlos Eduardo Pereira, de 56 anos – teve um primeiro dia de trabalho em ritmo intenso e com pressão por prazos e dívidas. O dirigente precisa agir rápido para honrar compromisso de pagar parcela de R$ 4,2 milhões do Programa de Refinanciamento Fiscal (Refis). O prazo se encerra nesta sexta-feira. A equipe de Pereira dá prioridade ao assunto para que o passo inicial da gestão seja dado de forma firme.

Antônio Carlos Mantuano, que deve assumir a vice-presidência de futebol alvinegra, já estuda os principais obstáculos do Botafogo. O cartola sonda os principais problemas financeiros do clube e tenta encontrar uma fórmula para aliviar as dificuldades mais emergenciais. Carlos Eduardo Pereira busca soluções imediatas para pagar o Refis.

“Já identificamos que o clube possui bloqueada uma importância de R$ 7,5 milhões. Nossos advogados já acionaram em juízo para que o dinheiro seja transferido para uma outra conta da Fazenda e, assim, resolvemos essa questão. O dinheiro está bloqueado e, como estamos em um processo de adesão ao Refis, totaliza uma quantia aproximada a esse montante. A ideia é transferir os recursos bloqueados para a Fazenda até pagarmos as parcelas”,destacou Carlos Eduardo Pereira, que estima a dívida total do Botafogo em torno de R$ 750 milhões.

O discurso demonstra que a situação dos cofres do Botafogo é alarmante, mesmo que um dia seja pouco para descobrir todos os obstáculos que virão. “Estou chegando ao clube agora. Não tenho conhecimento de todas as situações”, afirma Mantuano.

Além de Mantuano, a equipe do novo presidente ainda conta com Nelson Mufarrej, na vice-presidente geral, Márcio Padilha, que deverá ser o vice de comunicação, e Gustavo Noronha, na função administrativa no futebol, auxiliando o gerente executivo Aníbal Rouxinol Segundo, que deverá permanecer no Alvinegro. Domingos Fleury está confirmado no cargo de vice jurídico.

A necessidade de pagar R$ 4,2 milhões até sexta-feira é tratada com urgência, mas o Botafogo se mobiliza em outras frentes. A diretoria retomará batalha nos tribunais com o objetivo de voltar ao Ato Trabalhista. Com a nova direção, o Alvinegro acredita que poderá convencer o Tribunal de Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro de que poderá pagar suas dívidas.

Se for incluído novamente no Ato Trabalhista, o clube evitaria penhoras de suas receitas e teria mais fôlego para planejar uma temporada 2015 de recuperação. Ainda que o time tenha condições matemáticas para se salvar, a nova diretoria já trabalha com o planejamento de que o plantel terá que ser reconstruído para disputar a Série B do Campeonato Brasileiro no próximo ano.

A volta do Engenhão para as mãos do Botafogo também é tratada como fundamental. O estádio é visto pela diretoria como a principal esperança de aumento das receitas. O assunto, no entanto, também gera preocupação por causa de outra dívida. A Odebrecht, que tem R$ 20 milhões a receber do clube até 2016, planeja administrar o estádio de forma compartilhada com o Alvinegro.

Fonte: UOL