O rebaixamento com antecedência de uma semana dá mais tempo ao Botafogo para planejar o próximo ano, em que disputará a Série B. De imediato, o presidente Carlos Eduardo Pereira e o vice de futebol Antônio Carlos Mantuano terão que pensar na estrutura do departamento de futebol. Nesta segunda-feira, eles devem dar uma entrevista coletiva no Engenhão. Dois homens que estão à frente do comando tem seus cargos em xeque: o diretor Wilson Gottardo e o técnico Vágner Mancini. Após a derrota para o Santos, Mancini evitou falar sobre o assunto. Em campo, a prioridade do clube é a manutenção do goleiro e ídolo Jefferson.

— Ao longo do tempo, eu disse que tinha interesse em ficar, mas eu seria deselegante de falar o mesmo com uma diretoria que acabou de assumir — afirmou Mancini, que falou como o clube deve se preparar para disputar pela segunda vez a Série B (o primeiro rebaixamento foi em 2002).

— Tem que mudar muita coisa. A nova diretoria vai ter que pensar. Eles enxergaram de fora e, agora que estão dentro, terão que entender o que foi feito. E isso não apenas no campo, mas na parte administrativa e na estrutura. Tem muita coisa a ser arrumada. O Botafogo desgastou-se neste ano. Comparando com uma empresa, houve uma falência de vários departamentos e há a necessidade que se reestruture.

CRÍTICAS INTERNAS

O técnico esteve à frente do clube desde o primeiro jogo do Brasileiro, justamente quando estreou com derrota para o São Paulo, em abril. Embora seja elogiado pela forma como conduziu um elenco abandonado pela antiga diretoria, que não cumpriu com seus compromissos ao atrasar até sete meses de salários, há críticas internas ao futebol apresentados, especialmente pela falta de um time titular definido.

Devido ao histórico no clube e ao fato de não ter montado o elenco, Gottardo tem mais chances de ficar.

‘NINGÚEM QUER VERGONHA’

Com mais de 400 jogos na duas passagens pelo clube, que foi iniciada justamente quando o Botafogo jogou a Série B de 2003, Jefferson é a prioridade da nova diretoria. Embora aposte na austeridade, Carlos Eduardo quer driblar o alto salário do goleiro para fazer da permanência do ídolo um símbolo da reestruturação do clube. Ontem, o camisa 1 não afirmou se cumprirá o seu contrato até o fim, mas disse como pretende entrar em campo no domingo, contra o Atlético-MG, em Brasília.

— Vamos representar o Botafogo independente de ter não chances. Ninguém quer passar vergonha — afirmou.

Fonte: O Globo Online