O Botafogo caiu para a segunda divisão sem drama. Neste domingo, com derrota por 2 a 0 para o Santos, o Alvinegro teve o rebaixamento decretado em um fim já esperado por torcedores, diretoria, comissão técnica e jogadores. O treinador Vagner Mancini foi porta voz na Vila Belmiro e demonstrou resignação com o desfecho de uma péssima campanha do time no Campeonato Brasileiro.

O comandante alvinegro – que não fica para a próxima temporada – apontou o Botafogo “falido” em um ano trágico. A nova diretoria comandada por Carlos Eduardo Pereira, de 56 anos, assume com a missão de reestruturar o clube. Mancini deixa claro que o trabalho será árduo.

“Em uma análise fria, tem que mudar muita coisa. A nova diretoria é que vai analisar, pensar e enxergar tudo isso. Agora, dentro do clube, vai ter que entender tudo que foi feito. Não é só dentro de campo, tem muito a ser arrumado. O Botafogo acabou se desgastando no todo neste ano. É necessário sentar e analisar porque houve uma falência em vários departamentos. É necessário se reestruturar”, aponta Mancini.

Sem muitas lamentações após mais um revés do Botafogo no Campeonato Brasileiro, Mancini ressalta a luta de seus jogadores. Foi o que restou de um time que teve a sua trajetória atrapalhada por diversos problemas extracampo: demissões de jogadores, salários atrasados e clima ruim com cartolas.

“Difícil aceitar e vivenciar este momento que ninguém gostaria. Sabíamos que quatro times desceriam e, infelizmente, um deles é o Botafogo. Aceitamos porque não desenvolvemos dentro de campo. Fora, muito menos. É um retrato da série de problemas que todos já sabemos. Temos que ser francos dizendo a verdade: a queda confirmou o que aquilo que muita gente esperava. Tentamos reverter essa situação difícil. Em nenhum momento, o Botafogo jogou a toalha. Fomos bravos, mas não foi suficiente”, lamentou o técnico.

Mancini lembrou ainda que o fato de ter que se envolver em diversas questões fora do campo o desgastou no Botafogo. Ele disse, no entanto, que encararia o desafio no Alvinegro novamente.

“Não é fácil lidar com todos esses problemas. Me escorava no excelente ambiente. Alguém tinha que fazer e botei a mão. Tive um desgaste muito maior por agir em outras partes do clube, mas faria novamente. Não poderia deixar os atletas em situação ainda mais difícil. Eles viveram uma situação atípica dentro de uma equipe grande. Sempre que isso ocorre, a queda fica muito mais perto. Lutamos, mas sempre estivemos perto da zona”, afirmou.

O Botafogo, com a derrota para o Santos, continua com 33 pontos e não tem mais condições de escapar da queda mesmo com um jogo pela frente no Brasileirão. O time, na 19ª posição da tabela, encerra campanha no torneio em jogo contra o Atlético-MG, em Brasília.

Fonte: UOL