Por duas décadas, o entra e sai na presidência do Botafogo sempre ocorreu com o aval de Carlos Augusto Montenegro — isso quando o próprio não ocupou o posto, entre 1994 e 1996. Tamanha afinidade com o poder fez com que muita gente não imaginasse um mandatário eleito sem seu apoio. Até esta semana. Após sua primeira derrota nas urnas, o cartola é oposição pela primeira vez. E assim quer ser visto.

— Acordei aliviado. É a primeira vez em 20 anos que sou oposição. O pessoal do (grupo político) Mais Botafogo e, principalmente, o Carlos Eduardo sempre fizeram oposição. Agora, eles serão vidraça — disse Montenegro, que se sente responsável por guiar os descontentes:

— Dois terços do quadro não votaram na chapa Ouro. Carlos Eduardo me ligou, o que achei bom começo. Agradeceu o que fiz pelo clube e disse que conta comigo. Falei que vou fazer tudo o que puder pelo Botafogo, mas tenho que representar essa oposição.

Ainda que do outro lado, Montenegro não deixou de reconhecer virtudes no novo presidente. Ao menos num primeiro momento, Carlos Eduardo Pereira contará com a conivência do maior cacique do Botafogo.

— A seriedade dele é indiscutível. O que vai se verificar agora é a capacidade de gerar receitas e a humildade para juntar gente e ouvi-las.

Mas o cartola prometeu estar atento a cada passo da diretoria para cobrar as promessas. Antes, no entanto, quer descansar. Afinal, foram 20 anos como vidraça:

— Pelo que eles andaram falando, creio que já não sou tão importante. Vou me afastar um pouco e dar a eles a oportunidade de se virar sem o Carlos Augusto Montenegro.

Fonte: Extra Online