Neste domingo, o Botafogo apenas concluiu o projeto de destruição do seu departamento de futebol iniciado em janeiro. Na Série B, com receitas bloqueadas e ainda sem o Engenhão, o novo presidente Carlos Eduardo Pereira quer mobilizar a torcida para montar um time competitivo na próxima temporada. Nesta segunda-feira, o presidente vai ao Tribunal Regional do Trabalho do Rio para tratar a volta ao Ato Trabalhista, de onde o clube saiu em 2013. O objetivo é escalonar o pagamento de dívidas e evitar penhoras.

– Temos que trabalhar para transformar adversidades em oportunidades. Nós sabíamos que a queda era o provável desfecho e fizemos tudo ao alcance – disse Carlos Eduardo, que, em seu primeiro jogo como presidente, herdou o rebaixamento. – O torcedor vai ter importância fundamental. Vamos criar um ambientação do Engenhão para recebê-los e modernizar o programa de sócio-torcedor. Esse dinheiro vai ser totalmente canalizado para o plantel e o retorno à Série A.

A trajetória de frustrações começou na pré-temporada, em janeiro, quando Seedorf deixou o clube. Ele não foi só. Rafael Marques foi negociado com o futebol chinês, como Elias e Hyuri. Sem eles, Lodeiro era o único remanescente de 2013 no setor ofensivo.

Integrante da “Turma da Praia”, como são chamados os amigos de Maurício Assumpção, o então diretor técnico de futebol Sidnei Loureiro respondeu com contratações que se mostraram equivocadas: Jorge Wagner, Ferreyra, Wallyson e Zeballos. Para a defesa: Júnior César, Aírton, Bolatti e Rodrigo Souto, este mais um amigo de Assumpção.

No banco de reservas estava a mudança mais significativa. Saiu Osvaldo de Oliveira, com um trabalho sólido e de resultados. Entrou o desconhecido Eduardo Húngaro, que havia treinado os juniores do Botafogo. O que era uma aposta barata, com salário de R$ 75 mil, tornou-se um problema caro. Atual assistente técnico, sua função é pequena na comissão técnica e sequer viaja com a delegação para os jogos.

Pelo cenário, não era difícil prever um fracasso, mas um fator deixou o ambiente favorável: a torcida. Enquanto esteve na Libertadores, o Botafogo liderou o ranking de presença de torcedores na competição com mais de 150 mil torcedores em quatro jogos em casa.

Em abril, o clube contratou Mancini e Emerson Sheik. Mais tarde, o peruano Ramírez e Carlos Alberto. Lodeiro fez o caminho inverso e foi para o Corinthians. Se não fez um bom primeiro turno, o alvinegro fez 22 pontos nos primeiros 19 jogos e a 14ª melhor campanha. O time tinha ainda o jovem Daniel, que sofreria uma grave lesão no joelho.

Na noite de quinta-feira, 2 de outubro, Assumpção demitiu quatro titulares: Emerson, Bolívar, Edílson e Júlio César. Desde então, o desempenho que já era ruim ficou pior. Sem eles, perdeu 10 de 13 partidas. Depois. Gottardo, que substituiu Loureiro, bateu boca com Jefferson publicamente após o time ser eliminado nas quartas da Copa do Brasil.

Sinais de um ano errante.

Números:

19 rodadas: Na zona de rebaixamento do Brasileiro.

35 derrotas: em 64 jogos na temporada. Na Série A, foram 22 derrotas.

11 pontos no returno: Pior desempenho entre todos os clubes.

9º colocado: No pior Carioca da história do Botafogo, com 6 derrotas.

Fonte: O Globo Online