Com 26 pontos conquistados até aqui, o Botafogo pode terminar o primeiro turno perto do G6 do Campeonato Brasileiro. Para isto, o Glorioso deverá vencer o Ceará neste sábado, na Arena Castelão, às 21h, em partida válida pela 19ª rodada da competição. Nesta sexta-feira, Eduardo Barroca analisou, em entrevista realizada no campo anexo do Estádio Nilton Santos, o desempenho da equipe na primeira metade do torneio.

– Eu não tenho uma referência anterior porque é meu primeiro trabalho. Não ter uma referência para tirar do próprio trabalho é difícil. Meu objetivo continua sendo, até o final desse primeiro turno, ter o melhor resultado possível e de uma forma que nos dê orgulho de representar um clube do tamanho do Botafogo. Acho que estamos cumprindo isso muito bem. Independente da pontuação, o Botafogo fez jogos bons contra equipes fortes, foi competitivo o tempo todo. A gente sempre foi muito linear nas mudanças, mesmo com muitos problemas nas finalizações e nos números de gols. Sabemos o que a gente precisa crescer para chegar ao que a gente almeja. Estou satisfeito com a forma, mas não com o resultado e a pontuação. Sempre acho que podemos ir mais longe – analisou.

Na décima posição e com quatro pontos de distância para o Internacional, primeiro clube no G6, Eduardo Barroca comenta que acredita veemente na possibilidade de classificação à Libertadores da próxima temporada. De acordo com o treinador, este é o objetivo da equipe.

– É possível. A gente vai disputar uma quantidade grande de jogos, são 60 jogos. É claro que é possível. Nosso maior desafio é com a gente mesmo. Precisamos manter um nível alto de jogo, a gente precisa manter essa dedicação e o comprometimento dos jogadores. A forma como eles trabalham nos momentos adversos. Ficamos um período sem ganhar e eles continuam com um comportamento muito bom, buscando melhorar. Isso é um indicativo que temos condições de ir longe – afirmou.A tarefa, porém, não será fácil. O Ceará vem de um empate em 2 a 2 com o Corinthians, em Itaquera, e conquistou a maior parte de sua pontuação atuando em seus domínios. Eduardo Barroca traça uma análise sobre o duelo, mas reforça que o Botafogo não pode mudar seu estilo de jogo.

– A equipe do Ceará é muito bem organizada. O Enderson tem um trabalho muito bom. Vai ser um jogo difícil, fora de casa, sabemos que a torcida deles vai lá comparecer. Mas acho que a gente não pode mudar aquilo que vem construindo. O Botafogo tem uma característica de jogo, uma equipe base que joga desde que estou aqui. Precisamos fazer um jogo de imposição em cima de uma grande equipe. Precisamos sobrepor as nossas características sobre as deles para vencer lá – bradou.

Apesar da animação e dos altos objetivos dentro de campo, o Botafogo vive um problema fora das quatro linhas. Mais uma vez, a entrevista não mostrou nenhum patrocinador, como forma do protesto da comissão técnica e atletas pelos salários atrasados. Ao ser perguntado sobre como manter o foco dos jogadores no campo, Barroca foi enfático ao elogiar o elenco.

– Eu nem estou precisando ter esse trabalho. Está partindo deles. Os jogadores me procuraram e pediram para eu ser o elemento a cobrar deles a excelência profissional. Eles têm uma consciência grande que precisam do lado desportivo para conquistar as outras coisas que estamos em dificuldade. Para mim foi simples trabalhar com o comprometimento deles. O mérito é dos jogadores nesse sentido. O foco é o lado desportivo – finalizou.

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Dobradinha Fernando-Marcinho
– Eu gostei. O Fernando é um jogador que tem um aproveitamento muito bom quando está em campo. Ele dá estabilidade à nossa linha de quatro, ele tem boa estatura e agressividade em bola aérea defensiva. É um jogador que não passa com tanta frequência, mas sempre ajuda no lado do campo. O Marcinho tem capacidade de fazer mais de uma função. Ficamos com um lado direto consistente, apesar do jogo ficar mais de cruzamento e menos de articulação com perna oposta para jogar por dentro. Eu gostei da interação dos dois e espero que eles possam crescer.

Clima com o elenco
– A gente vem trabalhando muito com a palavra mobilização. Acho que os jogadores têm dado uma resposta muito boa nesse sentido. Existem indicativos que nos mostram isto. Os jogadores se envolvem diretamente com os funcionários, a gente tem se cuidado muito do nosso trabalho. Mesmo no período que oscilamos em resultados, os jogadores cuidaram inclusive de mim. Quantas vezes me protegeram e defenderam meu trabalho? Tem sido uma característica do nosso trabalho. A gente se protege e cuida do nosso trabalho. Nos cuidamos e nos defendemos. Esse é o ponto-chave.

Relação com a direção
– Até para manter o lado desportivo 100%, o Anderson (Barros) é o elemento a qual me reporto para falar sobre coisas específicas relacionadas a isso. Se não a gente acaba se embaralhando e perdendo o foco no que realmente é importante. Apesar de ter uma relação boa com o presidente e o Gustavo, eu procuro me reportar apenas ao Anderson e ele fala com a direção sobre esse assunto.

Fonte: Terra