Blog defende torcida do Bota das críticas: ‘Problema é nacional’

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Vou ter que entrar no time dos “comentaristas de torcida”. O assunto é sério, e apesar da opinião geral, não é exclusivo ao Botafogo. E eu explico.

Com uma campanha maravilhosa, muito tem se falado da baixa presença do torcedor do Botafogo no estádio. Eu mesmo já cansei de tentar motivar o público no blog e falando com amigos, mas será que é só a torcida do Botafogo que anda longe dos estádios?

O melhor jeito de acompanhar o ranking de presença, até onde sei, é pelo ótimo “aplicativo” construído aqui mesmo no GloboEsporte.com: http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/publico-brasileirao.html.

Lá você vai ver que o Botafogo tem apenas a 13ª média de público como mandante, bem contrastante com o desempenho da equipe: nas cabeças do campeonato desde o seu início.

Mas será que essa é a melhor medida?

Meu primeiro questionamento é óbvio: a média do Botafogo tem um forte viés para baixo pelo fato de ter tido seu estádio fechado, o Engenhão. Com isso, realizou jogos em Volta Redonda (onde teve o seu menor número de pagantes: 1186, contra o Santos, na 2ª rodada – no péssimo jogo de quarta às 19:30), em Pernambuco e em São Januário, que é no Rio mas é do Vasco.

Não chega a ser uma desculpa, mas o Cruzeiro (3ª melhor média hoje) e Galo já sofreram isso em Sete Lagoas, como o Internacional (3ª pior média hoje) sofre esse ano em Caxias e Novo Hamburgo. Fomos nômades durante boa parte do campeonato.

Meu segundo questionamento é o fato de termos mandado apenas um clássico até agora, tendo sido ele disputado em Pernambuco (um erro nosso, a meu ver). Com isso, naquele ranking, o único clássico que teve mando nosso teve apenas 7882 pagantes, a maioria alvinegra, como você pode ver no borderô do jogo. Flamengo 1 x 1 Botafogo (38853 pagantes) e Vasco 2 x 3 Botafogo (24979 pagantes) foram mandados no Maracanã, tiveram vários pagantes alvinegros (embora tenhamos tido menos pagantes em ambos os jogos), mas foram públicos creditados apenas aos rivais. E não se faz um clássico apenas com um time: você sabe. As médias de Flamengo (alta por natureza) e Vasco são jogadas para o alto por isso, enquanto o Botafogo…

Isso é, a nossa média no Maracanã, como mandante, é de 15192 pagantes, como você pode ver na tabela: nada maravilhoso, mas que nos daria a 8ª melhor média de público. Repare também que há uma escala de cores na tabela: quanto mais vermelho pior o horário, sendo o verde o melhor horário.

E aí chegamos ao meu terceiro questionamento. O que mais influencia o público a ir ao estádio é a fase do time: se está vencendo, chama público. Ao menos para a torcida do Botafogo (e acredito que para várias outras também é verdade), a questão do dia e do horário é tão ou mais importante do que o preço: eu juro que estudei (analisando 3 Campeonatos Brasileiros para trás) isso antes de falar. Repare então que, no Maracanã, mandamos apenas um jogo de domingo às 16h – o melhor horário para o público. E como você pode imaginar, jogos em finais de semana tendem a atrair mais público.

Eis o grande ponto: com ajuda de um amigo leitor, o Floriano (botafoguense lá de BH), vimos que até agora o Botafogo mandou 5 jogos em finais de semana e 5 jogos durante a semana. Cruzeiro e Corinthians, respectivamente 1º e 3º colocados do ranking, mandaram 9 (nove) jogos em finais de semana e apenas 1 em dia de semana. Isso faz diferença, é claro. Não é a toa que Botafogo x São Paulo, domingo às 16h, tenha sido o nosso melhor público pagante do Brasileiro, sendo o 2º melhor também em um final de semana, mas em Brasília, contra o Goiás. Ou você acha que é tranquilo, para um cara que mora em Campo Grande e não tem carro, sair do Maracanã depois de meia-noite, e acordar no dia seguinte para trabalhar? Esse horário é bizarro.

Meu quarto e último ponto diz respeito à natureza do problema. Está certo quem critica a torcida do Botafogo, mas está errado quem critica só a torcida do Botafogo. Você lembra de alguém questionando o número de apenas 18947 para Fluminense 0 x 3 Grêmio, pela Libertadores de 2013? Pois é, jogo importante, no Rio, mas também acabou meia-noite… E batiam na média do Fluminense, postulante ao título (e futuro campeão) do Brasileiro de 2012? Pois a média deles, nessa mesma época do ano passado, era de apenas 8881, na 14ª colocação (veja que a do Flamengo, que tem a maior torcida do Brasil, era de apenas 8784 torcedores).

O problema não é alvinegro, é nacional: mesmo antes das novas arenas, nos “saudosos” estádios, as médias de público do Campeonato Brasileiro eram baixas nas últimas edições, é só você pesquisar. E o ingresso era mais barato: ou seja, não é só mexer no preço. Falta elaborar um calendário melhor e mais confiável, aprender sobre o público para tentar atraí-lo de forma mais eficaz, observar os bons exemplos de lá de fora (olha a Bundesliga aí), etc.

Não quis apresentar desculpas aqui, apenas mostrar que não é bem assim.

De qualquer forma, temos que fazer a nossa parte. A nossa torcida está, sim, devendo. Só sabe de verdade o que foi o gol do Hyuri quem estava lá, isso para não falar do absurdo gol do Elias nos acréscimos em Criciúma. A emoção de fazer parte de perto desse 2013 está incrível, maravilhosa – que tal ir para o estádio, para contar para os seus futuros filhos e netos como foi mágico “aquele 2013″? Seedorf não vai jogar no Botafogo para sempre: saia da poltrona enquanto é tempo.

Por fim, o momento é propício para questionar a operação do Consórcio Maracanã. Se os custos deles são uma caixa preta no borderô, o mínimo seria exigir uma operação sem erros. E há muitos.

É absurda a fila de entrada, muitas vezes causada pelo péssimo layout de disposição das catracas (as catracas de trás ficam vazias, e as da frente fica superlotadas) e pela atuação da PM na revista (o que já foge do Consórcio, mas nem tanto). Melhoraram muito a saída, mas conseguiram a proeza de aumentar o número de entradas e piorar a entrada: no Maraca antigo você não tinha essas filas para entrar em jogos de 20, 30 mil pessoas. E não tem essa de “tem que entrar mais cedo”: é a operação do estádio que tem que se adaptar ao torcedor, ou é o cliente que tem que se adaptar ao restaurante, por exemplo?

Também é estranho não abrirem a Norte. Tem gente indo nas laterai$ (e assim pagando ao Consórcio, e não ao Botafogo) apenas para fugir da “bagunça” (maravilhosa, para mim) da Sul: tenho certeza que muitos iriam para a Norte caso ela fosse aberta.

De qualquer modo, saia de casa. Quem tem ido aos jogos não tem se arrependido: que momento mágico estamos vivendo. É girando a catraca que fazemos mais parte dessa história.

Domingo vou para a Vila Belmiro (aliás, o texto só sai na 2ª!) com mais um monte de gente que tem nos representado bem nas arquibancadas dentro e fora do Rio. O sabor das vitórias desse ano será ainda mais especial para quem viver de perto e ajudar a conquistar. Eu garanto!



Fonte: Blog Bate-Bola Alvinegro - Globoesporte.com
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