Contas atrasadas, receita anual que não alcança 20% da dívida e despesas passando da casa de R$ 1 bilhão e contas a pagar em mais de R$ 200 milhões para 2020. O Botafogo é um clube quebrado. O único caminho visto pela atual diretoria é a criação do Botafogo S/A, apenas assim o clube poderá estar salvo nos próximos anos.

O Fogão viu a sua dívida aumentar 7% no balanço divulgado no meio de 2019. Porém, o clube projetava apenas R$ 157 milhões de receitas no ano naquele momento e não era o suficiente para fechar o ano em superávit, pois os gastos ultrapassavam mais de R$ 210 milhões. O balanço final de 2019 sairá apenas no segundo trimestre de 2020.

Com isso, a diretoria do clube encontrou uma saída. Um projeto do deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ) visa estimular os clubes de futebol a migrarem para estruturas societárias empresariais. A aprovação já ocorreu na Câmara e está em tramitação no Senado Federal. A ideia é propor uma série de benefícios – novo refinanciamento de dívidas dos clubes com o governo, a facilitação da recuperação judicial, a declaração da suficiência trabalhista para jogadores de futebol e a criação de um imposto simplificado para clubes-empresas.

E dentro desse contexto, o Botafogo está um passo a frente. O Conselho Deliberativo e os sócios do clube aprovaram o projeto de mudança na gestão. Com isso, o clube deu todos os passos internos e necessários para virar uma empresa. O Fogão precisa de R$ 200 milhões para conseguir ter um 2020 mais tranquilo nas questões financeiras. Agora, a diretoria busca novos parceiros para investirem no clube e conseguir arrecadar o valor que possa fazer o clube respirar na próxima temporada.

No entanto, existe um problema em relação a CBF. Os clubes têm até 60 dias antes da publicação do regulamento das competições para fazer a inscrição do CNPJ que disputará a competição nacional. Como o Copa do Brasil começa em 5 de fevereiro, o Botafogo não tem mais tempo hábil para fazer qualquer mudança.

Porém, nem tudo é perdido. O Botafogo costurou juntamente com o deputado federal uma intervenção estatal para resolver a questão junto com a CBF. O inciso quinto do projeto afirma que poderá “alterar seus registros para participar das competições oficiais organizadas por entidades nacionais ou regionais de administração do desporto durante os referidos anos-calendário.”

Mas mesmo com esse ´drible´, o Botafogo tem vários problemas. O clube precisa provar para os investidores que ao virar clube-empresa vá conseguir pagar todas as dívidas de curto e longo prazo e que as decisões tomadas na atual gestão não serão alteradas no futuro. Com mais de R$ 1 bilhão em dívidas, o Botafogo precisará ter sucesso em campo, além dos investimentos. Com títulos, a receita aumenta e outras empresas passam a se interessar pelo clube.

Em entrevista ao Lance!, o ex-presidente Carlos Eduardo Pereira explicou como isso pode alterar a vida do clube: “O investidor vai ter uma oportunidade única. Ele vai receber a empresa Botafogo zerada, sem riscos de penhoras, porque as dívidas continuarão com o Botafogo de Futebol e Regatas. Essas dívidas serão quitadas com os royalties pagos por esse investidor, que com capital será capaz de muita coisa”.

O grande ponto para a vida do Botafogo melhorar é a renegociação das dívidas. Nessa etapa, um Fundo de Direitos Creditórios Não Padronizado (FIDC – NP) e um investidor (ou mais de um) vai comprar as dívidas privadas do clube, entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões. Outras dívidas que estão fora da contingência, mais de R$ 230 milhões, deverão ser pagas antes dos principais débitos do Botafogo. Ou seja, o 2020 do Fogão dependerá muito de como a diretoria seguirá com o projeto de transformar o clube em empresa.

Fonte: Yahoo!