O Botafogo desponta para ser o primeiro grande clube no Brasil a se transformar em uma sociedade anônima. A migração foi aprovada pelo conselho deliberativo botafoguense no fim do ano passado. Embora os efeitos estejam suspensos pela Justiça do Trabalho – que viu a transferência da administração do estádio Nilton Santos como forma de fraudar processos trabalhistas –, a direção do Botafogo mantém a confiança na concretização do projeto.

Ao mesmo tempo em que espera a tramitação do Projeto de Lei (PL) 5.082/2016, que será avaliado pelo Senado Federal nas próximas semanas, o alvinegro carioca estreita a relação com futuros investidores, que aparecem como salvadores de um clube à deriva. Segundo o próprio Botafogo, a dívida beira R$ 1 bilhão. Do jeito que está, o clube demoraria pelo menos 120 anos para pagar totalmente seus passivos – isso se a incidência de juros fosse zero (o que não se aplica na realidade).

Para resolver a situação, o Botafogo espera o aporte mínimo de R$ 200 milhões, dinheiro que será destinado exclusivamente para o futebol. “Será feito a segregação dos ativos de futebol do Botafogo S/A, uma sociedade de proposta específica, com a aquisição dos créditos privados contra o Botafogo. Ele cede esses ativos e recebe royalties”, destaca Marcelo Trindade, sócio da empresa Laplace Finanças, que montou a estrutura jurídica da S/A botafoguense.

Há outras condições para viabilizar a transação, como o reperfilamento dos passivos não tributários e a implementação de uma gestão profissional. “O dinheiro será investido no futebol para trazer resultados não só esportivos, mas financeiros para pagar a dívida e quem fez esse investimento”, destacou Marcelo Saad, outro sócio da Laplace Finanças, também à frente do plano de negócios.

As etapas de constituição em empresas precisarão ser referendadas tanto pelo conselho do clube quanto pelas entidades que regem o futebol brasileiro (federações e CBF). Há um detalhe nesse processo. O Estatuto do Torcedor, uma lei federal, impede a mudança do nome social de clubes no meio da competição, o que obrigaria alterações para antes da duplicação dos regulamentos dos campeonatos.

Registrado

De volta à elite do futebol brasileiro, o Atlético-GO está com um projeto adiantado para se transformar em empresa. O clube, inclusive, deu entrada em janeiro na Junta Comercial com o pedido de abertura da empresa. “Entendemos que a transformação do clube em sociedade anônima é fundamental para que possamos ter competitividade dentro de campo e sustentabilidade de longo prazo nas finanças. Sem isso, ficaremos eternamente brigando pelo acesso à Série A ou para não cair para a Série B”, pondera o presidente do Atlético-GO, Adson Batista.

Fonte: O Tempo