Jornalista: preço de ingressos é tapa do Fla ‘na cara’ da torcida

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Nesta última quinta-feira, no primeiro dia de vendas abertas ao público em geral para o clássico entre Flamengo e Botafogo, que acontece no Maracanã no próximo domingo, pelo Campeonato Brasileiro, a venda foi marcada por problemas e reclamações. Em participação no “Redação SporTV“, o jornalista Carlos Eduardo Mansur, de “O Globo”, chamou a atenção para os novos preços e os velhos problemas, e disse que o Flamengo deixa de fora de suas principais partidas o torcedor mais identificado com o clube.

– São os problemas de sempre com os preços de nunca. O Flamengo disse claramente que foi ele que determinou os preços desse jogo, e eles (ingressos) para mim são um tapa na cara de uma parcela expressiva de uma torcida que ajudou a construir a identidade de um clube durante muito tempo. O que o Flamengo fez foi dizer a essas pessoas, ao trabalhador assalariado, que não falsifica a carteira de meia-entrada: “Você não é mais importante para a gente, quando tiver um jogo menos importante, a gente vai colocar talvez um lugarzinho para você.

Mansur reforça a identificação de alguns clubes brasileiros com camadas mais populares da população e acredita que, num jogo onde o ingresso inteiro mais barato custa R$ 100, a “massa” passa a ser deixada do lado de fora.

– Por trás de um clube de futebol existe a construção de uma legenda, conquistas, grandes jogadores, mas existe uma identidade, e essa identidade é construída, por exemplo,no caso de um clube de massa como o Flamengo, como é o Atlético-MG, como é o Corinthians, como um clube que dialoga com o povo, com as classes mais baixas da população, e que oferece, por vezes, até um sopro de esperança no dia a dia dessas pessoas, de eventualmente estar no estádio. Ele tem essa função social. De repente se decidiu, no caso do Flamengo, que essas pessoas não têm mais lugar. E ninguém tem o direito de romper com essa história de uma hora para outra, por decreto.

Torcedores Flamengo fila Maracanã (Foto: Thiago Benevenutte)
Torcedores enfrentaram longa fila no Maracanã na última quinta-feira (Foto: Thiago Benevenutte)

De acordo com o jornalista, os dirigentes do futebol brasileiro precisam, em meio à busca por melhores rendas, encontrar uma maneira de manter essa parcela popular da torcida dentro dos estádios. E ainda ressalta que, mesmo aqueles que se dispõem a pagar ingressos caros, encontram diversos problemas.

– Para mim, o bom gestor de um clube de futebol é o que consegue fazer dinheiro, atrair recursos, sem rasgar essa identidade. Por que é tão difícil manter uma parcela do estádio para essa pessoas? Por que essas pessoas não fazem mais parte do cenário? E aí, de repente, esse torcedor que se dispõe a pagar esse preço encontra todo tipo de problema. Como se não bastasse o desrespeito à história, o desrespeito a quem está tentando comprar ingresso a esse preço. Agora, alguma novidade?

Apesar de os problemas não serem novidades, o jornalista Fábio Seixas, da “Folha de S. Paulo”, lembra que, com as novas arenas construídas no Brasil, a expectativa era de que tivessem novidades para os torcedores, mas boas novidades.

– A gente esperava alguma novidade com essas novas arenas, porque você não tem mais o velho Maracanã, você tem agora um estádio com lugares marcados. Esperava-se que esses novos estádios trouxessem também uma mudança de como lidar com o torcedor, e isso não está acontecendo. Não houve o menor preparo para lidar com o torcedor no cenário dessas novas arenas.

Apesar dos altos valores, mais de 20 mil ingressos já foram vendidos, somente pela internet, segundo divulgou o Flamengo, mandante da partida.

Fonte: Sportv.com

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