Na balança alvinegra, a passagem de Alberto Valentim pelo Botafogo, que se encerra com a partida do treinador para o Oriente Médio, pesa para o lado positivo. Muito se deve a conquista do Campeonato Carioca, ponto mais alto dos quatro meses de trabalho no Nilton Santos e principal razão que fará o trabalho de Valentim ser bem lembrado.

Mas se foi bom para o Botafogo, também foi bom para Valentim. Mesmo indo bem comandando o Palmeiras até o segundo lugar no Brasileiro de 2017, ele nunca deixou de ser interino e acabou dispensado, talvez injustamente, no fim da temporada, quando o clube paulista resolveu contratar Roger Machado.

Com bastante rodagem como auxiliar e uma experiência sem sucesso como técnico do Red Bull Brasil, em 15 jogos no Campeonato Paulista de 2017, o Botafogo deu a Alberto Valentim sua primeira chance de ser o treinador principal em um clube grande e o colocou no mercado que agora vai leva-lo para o milionário ‘mundo árabe’.

Valentim aproveitou bem a oportunidade, teve mérito quando colocou o primeiro título como técnico em seu currículo e agora, com justiça, é lembrado como parte da nova geração de bons treinadores brasileiros, que tem nomes como Zé Ricardo, Jair Ventura, Fábio Carille e Roger Machado.

Assim que chegou, Valentim deixou claro que gostaria de deixar para trás os fracassos que aconteceram antes dele na temporada do Botafogo. Isso fez muito bem. A eliminação na primeira fase da Copa do Brasil para a Aparecidense se tornou página virada no Nilton Santos.

Firme em suas escolhas, mudou bastante o time titular que estava jogando antes de sua chegada. Optou por Gatito Fernandez ao ídolo Jefferson e resolveu dar oportunidades a jovens e atletas que estavam à margem do elenco até aquele momento, como Marcelo Benevenuto, Marcinho, Rodrigo Lindoso e Ezequiel.

As mudanças melhoraram o time, mas por vezes o técnico se via refém de suas próprias ideias. Algo que ainda pode amadurecer como treinador. Determinado a ter uma defesa em linha alta com zagueiros mais rápidos, colocou Benevenuto como titular e deixou Joel Carli, mais pesado, como opção no banco de reservas no início de sua passagem.

Demorou oito jogos e uma eliminação na Taça Rio até dar o braço a torcer e perceber que, pelo o que tem disponível no elenco, o argentino forma a melhor dupla de zaga do Botafogo junto com Igor Rabello.

Quando fez a mudança, na Semifinal do Carioca, viveu seu melhor momento, eliminando o Flamengo e depois conquistando o título em cima do Vasco, mesmo com muitos desfalques, justamente com um gol de Joel Carli.

No Campeonato Brasileiro, algumas fragilidades ficaram expostas. A principal dificuldade alvinegra foi conseguir criar perigo contra adversários teoricamente mais fracos, que, atuando mais fechados, não propunham o jogo, e o Botafogo perdeu muitos pontos dentro de casa.

Nos últimos cinco jogos no Nilton Santos, foram duas vitórias e três empates, contra Ceará, Vitória e Audax Italiano. Resultados que expõe as limitações do elenco do Botafogo, mas também do treinador em encontrar alternativas, até mesmo do ponto de vista tático.

 

O esquema com um atacante centralizado, dois jogadores abertos e três homens no meio de campo foi uma constante durante a “Era Valentim”, mesmo quando o adversário exigia alguma mudança. Mais um indício de um técnico que acredita muito em suas ideias, mas que, por vezes, peca na leitura de jogo.

Leo Valencia, quando jogou pela ponta,Renatinho e Rodrigo Aguirre foram alguns dos jogadores que não se saíram bem no esquema proposto por Valentim.

E é exatamente este o desafio que o próximo comandante alvinegro vai ter: encontrar alternativas dentro de um elenco limitado, mas que pode render mais do que apresentou até agora na temporada.

Fonte: O Globo Online