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Ex-scout conta segredo de formação de elencos fortes no Botafogo: ‘Mudar o biotipo. Não adiantaria tentar competir tecnicamente contra principais orçamentos do Brasil’

Por: FogãoNET

- Atualizado em

Raphael Rezende ex-Botafogo
YouTube/Fala Fogão
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O Botafogo teve ótimos momentos recentes, sobretudo em 2024, com os títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro. Um dos segredos foi a formação dos elencos a partir da transformação em SAF, em 2022. A ideia foi ter times mais físicos e intensos, como uma estratégia.

Quem contou foi o ex-head scout do Botafogo, Raphael Rezende, em entrevista ao canal “Fala Fogão”. A pergunta inicialmente foi sobre o Botafogo Way, modelo pedido por John Textor que pregava um outro estilo.

– A gente sentiu, principalmente nas escolhas de comissão técnica, porque passavam muito pela voz, era o John que tomava essa decisão final sobre contratação de treinador. Durante todo o processo dele à frente da SAF. Então a gente sentia muito uma preocupação das comissões em atender essa demanda no momento de colocar o trabalho em prática. E é natural que fosse assim, até porque a busca dele estaria direcionada no momento da escolha do treinador a treinadores que tivessem um discurso, pelo menos com o próprio John, que respeitasse essa cobrança dele do ataque do futebol mais vistoso, leve, técnico, rápido, enfim. Que permeava essas escolhas de treinador – começou Raphael Rezende.

– Só que a realidade também se impõe em determinados momentos. O discurso é colocado à prova o tempo todo. Eu acho que o Botafogo foi se moldando dentro desses anos de SAF e conseguiu escapar um pouco do que é o utópico dessa ideia, do imaginário. O time de 23, se tivesse sustentado o trabalho até o final e batido campeão brasileiro, teria sido talvez a antítese do Botafogo Way puro, do discurso. E isso teria gerado zero problema. Então, enquanto as coisas estavam funcionando e o trabalho estava encaixado… E é um trabalho do (Luís) Castro, que não buscou aquele desenho. Eu acho que cabe até essa fala. Porque ele era influenciado por esse discurso de Botafogo Way. Ele tentava ser um pouco mais vistoso, um pouco mais protagonista, ter um pouco mais a bola. E teve muita dificuldade nesse processo, inclusive dentro do Estadual, quando o Botafogo não se classifica. Então, foi muito mais circunstancial chegar àquele modelo, àquela forma de atuar, pelo princípio do Brasileiro e os jogos que teve, as vitórias que conseguiu, do que por uma escolha de caminho. E influenciou pouco o nosso trabalho (do scout), pelo menos no princípio. O trabalho de construção da equipe de 23, principalmente, a segunda janela de 22, a primeira janela de 23. Porque a gente tinha em mente que para competir com os principais times e os principais orçamentos do Brasil, não adiantaria fazer o mesmo que eles fazem – explicou.

– Se a gente fosse competir tecnicamente, para trazer os melhores jogadores, esses caras estariam sendo contratados por quem tinha mais dinheiro do que o Botafogo. Então tinha que ter uma via alternativa. E o que a gente identificou é que, de certa forma, dá para dizer que generalizando no Brasil, ainda é um tabu assim, era mudar bem o biotipo da equipe. Para o perfil de contratação para jogadores que fossem mais competitivos, que tivessem capacidade de duelar, por mais que isso escapasse do que é o discurso do Botafogo Way. Não foi algo falado aos quatro ventos, não foi algo debatido abertamente, mas foi um direcionamento interno que a gente conseguiu construir no primeiro momento. E foi esse o direcionamento inicial. Por mais que em vários momentos a gente tenha sido confrontado, tanto em escolha de comissão, principalmente em escolha de comissão, como em determinado debate sobre jogadores, confrontado com essa ideia de jogadores mais leves, jogadores mais habilidosos, que trouxessem um pouco dessa ideia do Botafogo Way – acrescentou.

Segundo Raphael Rezende, o Botafogo teve que optar por um caminho.

– Você trabalha num cenário, num mercado, onde você não vai contratar esse tipo de cara extraclasse o tempo todo. Quando você tem oportunidade de trazer o Almada, beleza. O Almada é desequilíbrio, sabe? Eu acho que há espaço para o talento sempre. A questão é quando você vai montar, forjar um elenco que vai ter 15, 16, 17 jogadores que estão sempre em campo, numa toada como é o futebol brasileiro, de mais 70 jogos no ano. Cara, saúde é muito importante – pontuou.

– E eu acho que essa parte da fisicalidade talvez seja deixada de lado, assim, quando a gente faz esse recorte historicamente no Brasil, sabe? Futebol brasileiro, pentacampeão, talento, em abundância, enfim. E isso é muito marcante no discurso. Então, quebrar esses paradigmas assim não é simples, mas eu acho que há um caminho aí para atingir sucesso que escape um pouco do que sempre foi a lógica da história do futebol brasileiro – completou.

Fonte: Redação FogãoNET e Fala Fogão

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