O Botafogo campeão carioca de 1989 teve vários méritos. Porém, um dos principais, destacado por vários jogadores daquele plantel, foi a força mental que o grupo conseguiu ter diante de um cenário sempre complicado. Afinal de contas, era um jejum de 21 anos sem caneco e a torcida não aguentava mais os fracassos nos principais torneios. Um nome em especial teve papel decisivo a ajudar a equilibrar o aspecto emocional do plantel. Trata-se de Mauro Galvão, o capitão do Glorioso que ergueu uma das taças mais comemoradas da vitoriosa e centenária história botafoguense.

– O Botafogo naquele momento não se preocupava apenas com o aspecto técnico. A gente tinha a questão mental – relembrou o capitão.

Mauro Galvão chegou ao Botafogo em 1988, contratado junto ao Bangu em uma negociação que rendeu ainda ao Glorioso as chegadas de Paulinho Criciúma e Marinho.

O FOGÃONET conversou com o capitão do Botafogo, que recordou momentos importantes daquele título:

FOGÃONET: No começo do trabalho, na pré-temporada em Nova Friburgo, era possível prever que aquele grupo seria especial:

MAURO GALVÃO: Se eu falasse que a gente já sabia o que ia acontecer estaria mentindo. Mas tivemos alguns avanços importantes naquele ano. Conseguimos manter a base, o Espinosa chegou e acrEscentou bastante. A nossa pré-temporada foi muito boa em Nova Friburgo. Aproveitamos muito aquele momento. Aquele período de trabalho foi determinante. Depois vieram os jogos e com eles a confiança foi aumentando.

Mauro Galvão deu passe para gol decisivo da campanha

FOGÃONET: Foi difícil segurar o aspecto emocional do grupo por conta do jejum?

MAURO GALVÃO: O Botafogo naquele momento não se preocupava apenas com o aspecto técnico. A gente tinha a questão mental. Tinha aquela questão de não deixar o time morrer na praia como se falava. Então a gente procurava se manter sempre motivado e acreditando que poderíamos conquistar o troféu.

FOGÃONET: No jogo histórico do 3 a 3 com o Flamengo, no segundo turno, você deu o passe para o gol de Vitor. Aquele jogo teve um papel de destaque na conquista. Lembra bem dele?

MAURO GALVÃO: Aquele foi jogo foi diferente. Os gols foram acontecendo. O Flamengo saiu na frente, o Maurício empatou. Depois o Flamengo abriu 3 a 1. Seguimos lutando justamente para não que o aspecto moral não fosse abalado. Nos lançamos para o ataque, pois aquela altura perder de 3 ou de 5 era a mesma coisa, pois a gente não podia perder aquele jogo. Fiz o lançamento para o gol do Vitor. Eu não lembro como a bola chegou a mim. Mas lembro que dei um cavada e o Flamengo montou a linha. Aí fiz o lançamento e a bola chegou até o Vitor. Ele agiu como um verdadeiro atacante e definiu muito bem a jogada.

Mauro Galvão segue identificado com o Botafogo

Mauro Galvão era capitão daquele histórico time (Foto: Divulgação)

FOGÃONET: Mesmo depois tendo jogado no Vasco você continua identificado com o Botafogo. O Luisinho também, por exemplo. Isso mostra que aquele título teve um papel de protagonismo na história de vocês?

MAURO GALVÃO: Essa identificação existe e é muito gostoso. Veja só, são trinta anos e estamos aqui conversando, falando sobre isso. É um dos títulos mais festejados e por isso existe este carinho especial com o torcedor do Botafogo.

FOGÃONET: E hoje, tem acompanhado o Botafogo? Como enxerga o clube?

MAURO GALVÃO: Tecnicamente o Botafogo não está mal. Mas logicamente que a situação financeira preocupa. Nós que somos do futebol nós queremos ver os clubes grandes sempre bem e os clubes do Rio, hoje com exceção do Flamengo, financeiramente estão sempre correndo atrás para conseguir resolver as questões financeiras. Fico sempre muito preocupado, mas torcendo para o Botafogo se equilibrar neste sentido.

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