O feriado começou com a torcida do Botafogo sonhando com uma administração de seu futebol entregue aos irmãos Moreira Salles. Se isso vier a acontecer com certeza haverá mais dinheiro para investir na contratação de reforços. Nem tanto pelo valor que eles poderiam aplicar no futebol, mas sim pela gestão profissional que com certeza o Glorioso teria. O fato me fez relembrar algumas fases douradas da história do clube, onde dinheiro não era problema.

No fim da década de 80 o Jogo do Bicho reinava e movimentava fortunas todos os dias no Rio de Janeiro. Um dos bicheiros com maior poder aquisitivo era Emil Pinheiro, um apaixonado pelo Botafogo e que foi convidado por Althemar Dutra de Castilho, o presidente Teté, para ser vice-presidente de futebol entre os anos de 88 a 1990. Em seguida Emil presidiu o clube entre 1991 e 1992. Dinheiro não faltava naquela época.

Rivais sofreram com chapéus do Botafogo

O engraçado é que o Botafogo deu muitos chapéus em rivais. Mauro Galvão, Marinho e Paulinho Criciúma deixaram o Bangu em direção a General Severiano. Há quem diga que as negociações foram pagas com dívida de uma aposta em que Castor de Andrade, outro nome forte do Jogo do Bicho, teria perdido para Emil o passe dos três. Castor presidia o clube banguense. A informação nunca foi confirmada pelas partes. Um pouco antes Emil levou Fernando Macaé para o Botafogo horas depois dele ter vestido a camisa do Flamengo em uma apresentação. Mas esqueceu de assinar o contrato e trocou de cores entre a manhã e a hora do almoço.

Outra do Emil envolveu a chegada de Carlos Alberto Dias do Coritiba. O jogador foi trazido ao Rio de Janeiro motivado a acertar com o Flamengo, porém, foi recepcionado por Emil no aeroporto e escolheu o Glorioso. Ainda estreou fazendo gol no clássico, vencido pelo Botafogo por 2 a 1. Isso sem falar em Renato Gaúcho, contratado após se desentender com a diretoria do Flamengo.

Com Emil e Althemar o Botafogo quebrou o jejum de títulos, ganhando o bicampeonato estadual de 1989 e 1990. O primeiro ano, de forma invicta.

Pepsi e Excel-Econômico também ajudaram muito o Botafogo

Sob o comando de Carlos Augusto Montenegro o Botafogo viveu uma parceira dourada com a Pepsi, administrada no Brasil pelo executivo José Talarico, torcedor fanático do Alvinegro. A dupla foi responsável pela formação do time campeão brasileiro de 1995, com o ataque tendo Donizete e Túlio. Por várias vezes a empresa, que estampava a marca  7 Up, um refrigerante sabor limão, na camisa gloriosa, teve que investir para segurar Túlio, que despertava a cobiça de europeus.

Já na administração de José Luiz Rolim, o Botafogo teve como parceiro o banco Excel-Econômico, um grupo que montou um ataque formado por Bebeto e Túlio, que conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1998.

Assim, com um passado que serve de inspiração, o torcedor do Botafogo tem boas recordações enquanto sonha com os irmãos Moreira Salles. Quem eles venham! Serão bem recebidos em General Severiano.

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