A torcida do Botafogo dá exemplo de gestão no futebol. Pode parecer incrível, mas estamos diante de um cenário histórico no futebol brasileiro. Insatisfeitos com a maneira como o clube vinha sendo conduzido nos últimos anos os torcedores resolveram simplesmente tomar a administração do clube, logicamente por via indireta, assumindo o controle sobre os rumos que o Botafogo deve tomar daqui para frente.

Foi assim no episódio envolvendo a contratação de Honda. A diretoria do Botafogo sequer se animou com a possibilidade de ter o jogador em um primeiro momento, mas se viu pressionada a agir pelas proporções que o assunto tomou nas redes sociais. O próprio empresário do jogador em algumas entrevistas disse que foi justamente a postura dos torcedores o que mais pesou para que o japonês viesse jogar no futebol brasileiro.

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Ação da torcida do Botafogo é diferente

Agora o fato volta a se repetir com Yaya Touré. Dessa vez, já alertada pelo episódio Honda, a diretoria não descartou de cara. Mas foi empurrada a agir pelos torcedores. E não falo apenas dos torcedores comuns, de arquibancada, mas também daqueles com alto poder aquisitivo. Torcedores capazes de colocar dinheiro para contratar um atleta de peso como o volante da Costa do Marfim. Felipe Neto e Marcelo Adnet são exemplos.

Se não descartou de cara, a diretoria não se empolgou com Yaya Touré e coube a Felipe Neto agir fazendo o que sabe fazer de melhor: influenciar. Em caso de acerto com o atleta os méritos serão muito mais dos torcedores.

Não estamos diante de um cenário onde a torcida é convocada a apoiar e ajuda, como foi no caso do sócio-torcedor do Vasco ou da construção de alguns estádios. Muito menos de vaquinhas para pagamento de dívidas. Estamos falando de uma torcida que decidiu fazer a gestão em conjunto com a diretoria. Com certeza a torcida vai ser fundamental para levantar o Botafogo.