Sete anos após a polêmica interdição do “Engenhão”, como era conhecido à época o Estádio Nilton Santos (nome alterado em 2015), Eduardo Paes se manifestou ao “Canal do Rica Perrone” sobre a obra. O então prefeito do Rio de Janeiro negou que tenha havido viés político para facilitar a concessão do Maracanã, que precisava fechar com dois clubes cariocas. O fechamento prejudicou o Botafogo.

– Eu vi essa pergunta (na internet), falaram que nada foi feito lá. Não é verdade. A Odebrecht e a OAS tiveram que fazer R$ 400 milhões de obras, o estádio todo foi recuperado. Chegam na minha mão quatro laudos, três diziam que não caía, um dizia que caía, de um alemão não sei das quantas especialista em ventos. Se bater um vento de tal maneira, em tal dia, tal posição, cai a porcaria do Engenhão. Eu falei “vou ficar esperando, pagando para ver? Interdita”. É a mesma coisa da onda da Niemeyer – comparou com tragédia na ciclovia que deixou dois mortos, antes de responder se os três laudos não o respaldavam.

– Não dá. É tomada de decisão. Qual o erro da obra da Niemeyer? É a ausência de alguém dizer isso. Pode sim nesse ponto acontecer. Fizeram aquele trecho com a mesma metodologia de engenharia do restante, que não tem aquela caverna. Você é gestor público, tem que ter excesso de zelo. Estádio de 60 mil pessoas, vai deixar encher e nada acontecer? A gente precisava do Engenhão naquela época, o Maracanã estava em obras. O estádio já era do Botafogo. Esse modelo que o (governador Wilson) Witzel fez é correto, só devia ter incluído Botafogo e Vasco. Vasco tem São Januário, Botafogo tem Engenhão, Flamengo e Fluminense não têm estádio, tem que usar o Maracanã como casa principal, mas o Botafogo e o Vasco também têm direito. O Engenhão era fundamental naquela época, tinha Olimpíada, atletismo, os caras do COI vinham com uma pentelhação louca. Eu apanhava dos caras do COI e dos caras do Brasil – alegou.

A interdição

O Nilton Santos foi fechado em março de 2013 devido a apenas um laudo que dizia haver risco na cobertura. O estádio não teve um problema sequer, diferentemente de outras estruturas pela cidade e de outras arenas pelo país.

Com Mauricio Assumpção como presidente, o Botafogo, campeão carioca e disparado o melhor time do Rio de Janeiro na época (com Seedorf, Jefferson, Lodeiro, Rafael Marques, Vitinho, Renato, Andrezinho, Fellype Gabriel, Bolívar, Dória, Gabriel, Gilberto, Jadson etc), perdeu receita de naming rights, rendas de jogos, camarotes, patrocinadores e sócios, entrou em crise econômica, teve que negociar jogadores e perdeu força na disputa pelo título brasileiro e da Copa do Brasil. Ainda chegou à Libertadores, mas no ano seguinte não teve força e acabou rebaixado.

O Botafogo voltou a poder usar sua casa em jogos com liberação parcial de público em 2015 e completa apenas em 2017. Já com Marcelo Crivella como prefeito, a Prefeitura prorrogou a concessão ao clube até 2031.

Veja o vídeo abaixo:

Fonte: Redação FogãoNET e Canal do Rica Perrone