Seedorf: ‘escolha de risco’, mas ‘quase tudo perfeito’ no Bota

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Campeão carioca, vice-líder do Campeonato Brasileiro, referência para jogadores e crianças… A fama após um ano e dois meses desde que chegou ao Brasil para defender o Botafogo chama a atenção e desperta a curiosidade da imprensa mundial. A revista francesa “France Football” foi a mais recente a vir ao Rio de Janeiro para uma entrevista com o holandês no Copacabana Palace. À reportagem, publicada neste mês de setembro, o craque de 37 anos comemorou o sucesso na terra que chama de “Meca do futebol”, voltou a salientar as diferenças do esporte praticado no Brasil para o da Europa, rebateu as críticas de que o país é reduto para jogadores veteranos, elogiou o técnico Oswaldo de Oliveira e falou pela primeira vez sobre o receio que teve antes de aceitar a proposta do clube carioca.

Seedorf com a torcida do Botafogo (Foto: Satiro Sodre / SSPress)
Em pouco mais de um ano, Seedorf virou ídolo da torcida do Botafogo (Foto: Satiro Sodre / SSPress)

Ao ser questionado sobre o motivo pelo qual escolheu disputar um campeonato praticamente sem europeus, Seedorf falou que não recebeu muitas oportunidades em sua última temporada no Milan (2001-12), da Itália, e que precisava mudar de ares para manter sua motivação. Mas o jogador, apesar de ser casado com uma brasileira (Luviana), admitiu que foi uma “decisão de risco” aceitar a proposta depois de 20 temporadas na Europa e após um “namoro” de dois anos com o Botafogo.

– Eu decidi procurar por um novo desafio em um país onde o futebol é valorizado. Foi uma escolha difícil, com um pouco de risco, mas no final tudo é quase perfeito aqui. (…) Viver no Brasil hoje é como um sonho. Para mim, é uma grande experiência na terra do futebol. Brasil é realmente a “Meca do futebol”, e receber uma recepção como foi dos torcedores, não só do Botafogo mas de todo o país, é algo inacreditável – revelou o holandês, mostrando-se surpreso ao ser informado pela imprensa francesa de que muitos recém-nascidos no país estão sendo batizados com o seu nome.

Um dos responsáveis por sua adaptação ao futebol nacional é Oswaldo de Oliveira. O holandês, que fala sete idiomas (português, holandês, francês, inglês, italiano, espanhol e o crioulo), disse que o entendimento com o comandante de uma equipe é essencial para o rendimento individual e coletivo.

– Geralmente, eu entendo muito rápido o que os treinadores pedem, e quanto mais antenado com o técnico, mais fácil se é para implementar as orientações. Esse é o caso aqui no Botafogo. O Oswaldo me deu um novo impulso, uma nova vida, até. Foi fundamental para a minha evolução pessoal aqui – elogiou.

entrevista Seedorf botafogo (Foto: André Durão / Globoesporte.com)
Holandês se sente em casa no Rio de Janeiro (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Uma das perguntas mais respondidas por Seedorf em entrevistas, a comparação do futebol brasileiro, mais técnico, com o europeu, mais tático, voltou a ganhar destaque nas palavras do jogador, que também usou o forte calor do país para justificar porque a velocidade do esporte não mantém tanta intensidade como na Europa. Porém, o holandês defendeu o futebol nacional dos questionamentos com relação aos veteranos como Juninho Pernambucano (38 anos), Zé Roberto (39) e Ronaldinho Gaúcho (33) ainda jogam em alto nível no país.

– Mas isto não só no Brasil especialmente. Veja Ryan Giggs (39 anos), do Manchester United. Se nós prestarmos atenção em seu corpo, não aparenta a idade que tem. Com experiência, você não precisa correr muito, você se torna um melhor jogador com melhor posicionamento e sendo mais eficiente. Costacurta (ex-Milan, que jogou até os 41 anos) e Cafu (que jogou até 38), também demonstraram isso no final.



Fonte: Globoesporte.com
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