Vitinho critica Botafogo: ‘Não achou que eu ia crescer assim’

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O Botafogo dá sinais de vida muito saudável sem Vitinho. É o vice-líder do Campeonato Brasileiro e tem nesta quarta-feira a possibilidade de encurtar a distância para o Cruzeiro em confronto direto. Mas está claro que não fazia parte dos planos do torcedor alvinegro perder a sua grande promessa num ano tão importante como indica este 2013. O 13, antes da superstição, virou 31 para o novo atacante brasileiro do CSKA. Alguns o julgaram, o chamaram de mercenário pela decisão de ir para o futebol russo, num frio inimaginável, com apenas 19 anos. Ele se defende e garante: não foi apenas o dinheiro que o levou a deixar o Brasil tão cedo.

– A minha saída tem uma série de fatores, e não saí como o culpado ou por dinheiro. Eu determinei coisas na minha vida, metas para mim, e elas aconteceram tão rápido. Poderia ter ficado lá e ter acontecido alguma coisa grave, uma lesão. E nunca mais poder desempenhar o futebol que desempenhava como já vi (acontecer) com uma série de jogadores, inclusive amigos meus. Pensamos no futuro da nossa família, e decidi vir por eles também – disse o jovem.

Vitinho CSKA entrevista (Foto: Victor Canedo)
Vitinho na Allianz Arena após a derrota do CSKA para o Bayern, pela Champions  (Foto: Victor Canedo)

Vitinho concedeu entrevista ao GLOBOESPORTE.COM nesta terça-feira, minutos depois de o seu CSKA sair derrotado para o Bayern de Munique, por 3 a 0, na abertura do Grupo D da Liga dos Campeões, na Allianz Arena. Ao explicar o motivo da saída repentina, Vitinho afirmou que a diretoria havia recusado um aumento salarial, mas que depois da oferta do CSKA mudou de ideia e ofereceu mais dinheiro ao jovem.

– Tinha pedido um aumento, mas o clube falou que não poderia dar. E depois que o CSKA chegou, eles me ofereceram muito mais do que eu havia pedido. E o que eu tinha pedido não era muita coisa, mas me ofereceram uma fortuna. Como vou entender? Pedi algo, e não tiveram para me dar, mas depois tinha muito mais. Então tinha e não queriam dar. Foi o que me levou a ficar triste. Não acreditaram que eu poderia crescer tão rápido.

Apesar da decepção com os dirigentes alvinegros durante a negociação, ele não guarda mágoas do clube. Na quinta, ao acordar, o atacante irá direto recorrer à internet para descobrir quanto foi a “final antecipada” entre Botafogo e Cruzeiro. Afinal, amigos não faltam por lá. Como o seu próprio substituto…

– O Hyuri é um garoto que tem muita qualidade. É do estilo que o Oswaldo gosta. Marca, busca o jogo, aparece e finaliza bem. Tem tudo para crescer no Botafogo.

GLOBOESPORTE.COM: Liga dos Campeões, Bayern de Munique, Allianz Arena… E você aos 19 anos e já tem no currículo um jogo desses.

VITINHO: Experiência única. Acho que o que o Bayern demonstrou na partida foi uma aula de jogar futebol. Com certeza todo time deve seguir o exemplo dessa forma de jogar. Fantástica. Da experiência não tenho nem o que falar. Magnífica. Fico triste pelo resultado, mas feliz pela experiência e pelo campeonato que estamos disputando.

Imaginava lá atrás poder viver isso?

Robben e Vitinho jogo Bayern de Munique contra CSKA (Foto: EFE)
Vitinho em ação contra o Bayern, de Robben, na abertura da Liga dos Campeões (Foto: EFE)

Imaginar a gente imagina, né? Até sonha (risos). Mas não tão rápido, tão de repente. Fico feliz pela contratação do CSKA, por ter acreditado no meu trabalho, e espero dar muito resultado a eles ainda.

A Rússia te espera agora com um frio daqueles…

Quando eu cheguei na Rússia estava um frio significativo. Nunca tinha pego um frio daquele. E o que a gente pegou hoje não foi nada (risos) [os termômetros apontavam 8ºC em Munique durante a partida]. O pior ainda está por vir. Mas a gente se adapta. O ser humano consegue fazer coisas fantásticas, e me adaptar a isso será fácil.

O CSKA já tem um histórico com atacantes brasileiros. Vagner Love, Jô e agora você.

Sei que o Vagner e o Jô têm uma história muito grande dentro do CSKA. Eles ficam bastante felizes quando têm um brasileiro jogando. Estão muito esperançosos com as minhas atuações por lá. Vou tentar fazer o meu melhor e ajudá-los a sempre conquistar o que esperam de mim, crescer e mostrar para a Europa que eles também têm qualidade e podem chegar.

Se a Copa do Mundo de 2014 parece impossível, a próxima será na Rússia. Você já sai na frente por conhecer tudo…

Comentei isso com a minha família. Vou em busca de algo assim. Uma convocação para a Seleção. Acho que nada é impossível para ninguém. Com vontade e determinação… A qualidade o Papai do Céu já deu (risos). Acho que é só questão de tempo para poder mostrar para o mundo, para todos me conhecerem. Alguns me conhecem, mas quero que me conheçam mais, quero ser mais importante para o futebol.

E o Botafogo? Segue acompanhando?

Estou acompanhando, sim. Meus companheiros ainda mantêm contato comigo, conversei com o Dória ontem (terça-feira), com o Gabriel também. Estou feliz pela campanha que estão fazendo. Eu saí, mas dei oportunidade para outros aparecerem. O Hyuri está fazendo um grande trabalho, a gente se conhece há muito tempo, desde o Audax. Vai crescer, virar um grande jogador. E fico feliz por isso. Estou muito confiante que o Botafogo possa chegar, ganhar esse título brasileiro. O time está encaixadinho, determinado, tenho certeza de que vai chegar.

E se ganhar vai telefonar para o clube cobrando uma medalha, certo?

Com certeza, né? Eu saí, mas deixei minha contribuição (risos). Acho que ajudei bastante. Pelo menos o time teve uma colocação ótima nos momentos em que eu estava. E ainda continua, permanece. Espero que consigam conquistar o que tanto querem.

Vitinho comemora, Botafogo x Internacional (Foto: Vitor Silva/SSPress)
Vitinho despontava como revelação do Botafogo na campanha do Brasileirão (Foto: Vitor Silva/SSPress)

Como fará para acompanhar o jogão contra o Cruzeiro?

Ver a partida não vai ter como. Acompanho no dia seguinte, entro na Globo.com ou então vejo pelas fotos no Instagram. Quando tem vitória todos postam. Acompanho assim. Espero que eles ganhem, será muito importante para deixá-los muito próximo da liderança.

Você citou o Hyuri. Ele não só te substituiu, como também assumiu o papel dos golaços…

O Hyuri é um garoto que tem muita qualidade. É do estilo que o Oswaldo gosta. Marca, busca o jogo, aparece e finaliza bem. Tem tudo para crescer no Botafogo. Do grupo não tem nem o que falar, é maravilhoso. Vai abraçá-lo como me abraçaram. Tenho certeza de que vai se sentir super à vontade para desempenhar o trabalho dele.

Faz quase um mês que você foi negociado. Já pensou se foi a hora certa ou a errada?

 

Acho que… Assim: a minha saída tem uma série de fatores, e eu não saí como o culpado ou por dinheiro. Eu determinei coisas na minha vida, metas para mim, e elas aconteceram tão rápido. O CSKA tem a oportunidade de jogar uma Champions League. E o que eu vou pensar? Jogar todo ano, Campeonato Russo… O Vagner (Love) foi convocado para a Seleção jogando no CSKA. É uma grande equipe. Comparar com Bayern, Real Madrid, Barcelona… Não está neste nível ainda. Mas é um grande time, tem tudo para crescer. Acho que não existe isso de sair cedo, sair tarde. Poderia ter ficado lá e ter acontecido alguma coisa grave, uma lesão. E eu nunca mais poder desempenhar o futebol que desempenhava, como já vi (acontecer) com uma série de jogadores, inclusive com amigos meus. Pensamos no futuro da nossa família. Eu tenho uma filha, pensei neles, e decidi vir por eles também.

Algum jogador tentou mudar a sua cabeça?

Quando dei a notícia que estava indo, eles tentaram me convencer a ficar. Mas depois que souberam o que aconteceu internamente, das negociações do clube, acharam também que era o momento de eu partir. E disseram “vai, vai com Deus. Porque é sua oportunidade”. Acho que ouvir isso deles foi algo importante para minha decisão. E hoje estou aqui.

Você acha que o clube demorou a lhe oferecer um aumento?

O que aconteceu foi que eu não tive aumento salarial. Tive no início do ano, de R$ 6 mil para R$ 15 mil. Tinha pedido um aumento, mas o clube falou que não poderia dar. E depois que o CSKA chegou, eles me ofereceram muito mais do que eu havia pedido. E o que eu tinha pedido não era muita coisa, mas me ofereceram uma fortuna. Como vou entender? Pedi algo, e não tinham para me dar, mas depois tinha muito mais. Então tinha e não queriam dar. Foi o que me levou a ficar triste. Não acreditaram que eu poderia crescer tão rápido. Foi uma das coisas que pesou para a decisão. Mas sou muito grato ao Botafogo, ao que fizeram por mim. Não tenho o que falar, a oportunidade que me deram para desempenhar o trabalho. No fim quem decidiu fui eu. A decisão foi minha, estou aqui e muito feliz.



Fonte: Globoesporte.com
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