Ser Botafogo é inexplicável. Só nós sabemos o que é sentir emoções completamente opostas num período de apenas três dias. Saímos de um vexame inesquecível na Copa do Brasil para uma grande e importantíssima vitória no Brasileirão, tirando o peso de um jogo atrasado do 1º turno.

A pressão da torcida deu resultado, Jair Ventura engoliu a tal “meritocracia” e finalmente barrou Renan Fonseca. Aguerrido na defesa e inspirado no ataque, o time mostrou muita entrega e fez um primeiro tempo digno de final de campeonato. Taticamente consistente, o time soube anular as armas do Grêmio e impôr o seu ritmo dentro de casa.

Vale ressaltar a péssima atuação da arbitragem. Confuso, atrapalhado e inseguro, o trio da CBF complicou o jogo desde os primeiros minutos ao criar grande polêmica em gol bem anulado de Sassá. Pela demora na decisão, ficou no ar a dúvida de que esperavam comunicação externa. Isso desestabilizou as duas equipes e o juiz perdeu o comando da partida, invertendo faltas e guardando cartões, principalmente pro time do Grêmio.

Voltando ao jogo, deu gosto de ver a entrega do nosso time. Eles realmente precisavam dar uma resposta a tudo de ruim que aconteceu essa semana – e ela veio em grande estilo. Camilo acertou uma linda bicicleta, uma pintura de gol, que já é o gol do campeonato e certamente merece uma vaguinha no prêmio Puskás da FIFA. Messi, Cristiano e outros craques da Europa já podem se preparar.

Vitor Silva/SSPress

Vitor Silva/SSPress
Torcida compareceu e foi fundamental ao incentivar nos momentos difíceis

O golaço não fez o Botafogo diminuir o ritmo. O Grêmio tentou se lançar ao ataque, dando espaço pro contra-ataque muito bem aproveitado por Luis Ricardo, que lançou Sassá e deu sua segunda assistência no jogo. Nosso camisa 9, artilheiro do campeonato, não perdoou e fuzilou pras redes. Naquele momento, ninguém sequer lembrava da tragédia da última quinta-feira, neste mesmo palco.

O Grêmio, parecendo um pouco perdido, voltou do intervalo sem conseguir crescer na partida. Aos 15′, como nada acontecia, o técnico Roger fez duas mudanças que reacenderam o Tricolor na partida. Sem nada a perder, os caras vieram pra cima. Jair mexeu mal, colocando o péssimo Pimpão no lugar de Sassá, machucado. Daí, configurou-se o cenário de pressão, embora sem muitas chances criadas.

Numa bola vadia, Luan encontrou Kaio, que aproveitou as falhas de Emerson e Sidão pra diminuir faltando 10 minutos pro fim do jogo. Afinal, quando alguma vitória foi tranquila pra gente? Foram segundos que pareciam horas, bolas alçadas na área causando taquicardia e aquele suor frio de maus pressentimentos. O Botafogo cansou, pregou e o Grêmio, mesmo num dia sem inspiração, tentou de tudo.

Até que, meio timidamente, o juiz apontou o centro do gramado. O torcedor respirou, o coração acalmou e o alívio tomou conta da Arena Botafogo, precedendo a felicidade pelo salto na tabela. Em 11º lugar, o Fogão enfrenta o Fluminense na 4º feira, novamente em casa, pra embalar de vez no Campeonato Brasileiro.

Notas

Sidão: 4
Não havia sido exigido uma vez sequer, até sair errado e ser driblado no lance do gol do Grêmio. E o clube ainda diz que “não tem pressa” pelo retorno do Jéfferson…

Luis Ricardo: 8
Grande atuação. Muito bem na defesa, nos dribles e no apoio. Com a bola no chão, criou os dois gols do time.

Joel Carli: 7,5
A torcida pediu e ele não decepcionou. Atuação segura, rebatendo todas por baixo e por cima, mostrando pra certas pessoas o que é ser um zagueiro profissional.

Emerson: 5
Vinha tendo atuação regular, mas falhou na marcação do gol gremista. Precisa ficar atento durante os 90 minutos.

Victor Luis: 7,5
Ótima atuação, mesmo estando há tanto tempo sem jogar. Mais consistente que Diogo Barbosa, merece a sequência de titularidade – que perdeu por lesão há alguns meses.

Airton: 10
Não tem outra nota. Atuação perfeita, ganhando todas as divididas, roubando diversas bolas e fazendo o jogo girar a partir do meio. É o capitão por direito desse time.

Fernandes: 5,5
Entrou com a missão de substituir Lindoso, machucado, e não mostrou muita coisa até se machucar.

Bruno Silva: 7
Resolveu jogar bola e se doar um pouco. Contagiado pela atuação coletiva, fez bom jogo.

Camilo: 7
Ótimo primeiro tempo, com bons passes e um gol de placa. No segundo, cansou e caiu muito de rendimento.

Neílton: 8
Incansável. Vem numa ótima sequência e, com a confiança em alta, se solta em campo. Dribles rápidos e produtivos, foi muito voluntarioso. Falta caprichar nas finalizações.

Sassá: 7
Brigou muito e foi o de sempre: nenhuma maravilha tecnicamente, mas sobrou, ele tá guardando. Vive ótimo momento. Que dure bastante.

Dudu Cearense: 6,5
Reapareceu depois de muito tempo e teve atuação irregular, intercalando cochiladas com boas jogadas. Pode melhorar ganhando ritmo.

Rodrigo Pimpão: 4
Até quando?

Emerson Silva: sem nota
Entrou na fogueira com a lesão de Luis Ricardo e só teve tempo de rebater algumas bolas. Sem condições para análises mais profundas.

Jair Ventura: 6,5
Foi bem ao fazer o óbvio e sacar Renan Fonseca, mas novamente mexeu mal e matar o setor ofensivo com Pimpão, podendo dar uma chance a Luis Henrique. Depois, colocou um terceiro zagueiro em campo tendo um lateral no banco. Por muito pouco – e com sorte – não comprometeu o resultado final.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC