Aos 35 anos, Luis Ricardo vive uma rotina parecida com a que sempre teve nos últimos anos, mas incomum por essência. Acorda cedo, vai para academia, trabalha com bola e faz treino funcional. O objetivo é não perder o ritmo de uma partida profissional de futebol. A diferença é que, até o momento, o lateral não tem tido a oportunidade de poder disputá-la: dispensado pela Ponte Preta ao término do Campeonato Paulista, em abril, ele batalha para dar continuidade à carreira.

– Meu objetivo é voltar à carreira o mais rápido possível. Batalhei muito durante essa parada da Copa para poder voltar a algum clube, tentar encaixar em algum time que goste do meu perfil. Quero voltar a fazer o que eu estava fazendo, que é jogar futebol, o que mais gosto de fazer. Espero que Deus me ajude e, logo, logo, possa retornar ao futebol, seja no Brasil ou lá fora – afirmou o jogador, em exclusiva ao LANCE!.

O Botafogo não poderia deixar de ser assunto da entrevista. Afinal de contas, Luis Ricardo passou pelo clube durante quatro anos. Fez parte de importantes campanhas do Alvinegro, seja no Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil ou na Libertadores. Também estava no elenco campeão carioca de 2018. A passagem foi de extremos. Da alegria ao levantar taças à delicadeza da grave lesão que sofreu no tornozelo, em 2016, que o tirou dos gramados por quase um ano.

– A minha relação com o Botafogo sempre foi muito boa, desde 2015, quando cheguei. Conquistei títulos, fiz amigos… eu ainda acompanho o Botafogo, torço pro time. Tenho amigos ali e espero que eles esperam dar continuidade ao bom campeonato que iniciaram. O Botafogo chegou a ficar entre os quatro primeiros do Brasileirão. Iniciar uma competição tão difícil dessa forma é de suma importância pros objetivos. Espero que o final de ano seja feliz – salientou.

A renovação de contrato em 2017 foi um capítulo à parte do período de Luis Ricardo no Botafogo. Em agosto, o vice-presidente de futebol, Antônio Carlos Azeredo, se reuniu com o jogador e seu empresário e acertou a extensão do vínculo até o fim de 2019. A informação, inclusive, fora publicada nas redes sociais oficiais do clube. Porém, a assinatura não foi protocolada. O presidente Carlos Eduardo Pereira argumentou que não tinha sido informado do tempo de duração do novo acordo.

– Na verdade, naquela época, o Cacá (como é conhecido Antônio Carlos Azeredo) havia me dado dois anos de contrato e o presidente CEP não tinha aceitado esses anos. O argumento foi de que ele “não tinha sido informado”. Então, ele queria só um ano. Por isso rolou todo aquele burburinho. Mas não teve nada demais além disso. Um falou dois anos, o outro não aceitou. Depois todos entraram em acordo e acabou que assinei por mais um ano (até dez/18), fazendo com que eu permanecesse, ao todo, quatro anos no Botafogo. Foi um período de muita alegria e satisfação imensa da minha parte – salientou.

Confira o bate-papo completo com Luis Ricardo:

No seu período no clube, o Barroca era o treinador da base. Como você vê o trabalho dele? Acredita que seja o nome para recuperar definitivamente o time na temporada após o começo decepcionante com Zé Ricardo?
Eu acredito que tem grandes chances do Barroca fazer um grande trabalho. É claro que quando você chega no Botafogo você já tem que chegar dando resultado. A torcida às vezes não tem tanta paciência. A diretoria às vezes poderia sustentar um pouco a pressão para que um profisional como o Barroca possa levar seu trabalho e fazer com que tudo flua. Mas tem que dar tempo ao tempo para os jogadores possam entender a filosofia do treinador, os seus métodos, o que ele pensa de jogo. Time grande vive de resultados.

Você teve uma lesão muito grave na carreira em 2016 pelo Botafogo. Ficou quase um ano fora dos gramados. Foi realmente o pior ano da sua carreira? Acredita que você sofre com consequências, técnicas e físicas, daquele momento?
Hoje estou 100% curado da lesão. Na oportunidade, passei 2017 praticamente tratando. Já no final do ano, tive oportunidade de ir pro jogo. Isso fez com que 2018 eu desse continuidade. Não consegui atingir um alto nível, mas quem vem de lesão grave, como a minha, passa por isso. Porém, quem me viu jogando pela Ponte viu que eu estou super bem fisicamente. Meu desejo agora é terminar bem o ano de 2019

Você ficou na Ponte Preta no início do ano e disputou até uma quantidade de jogos considerável. Logo depois, você foi desligado do clube. O que houve?
Eu agradeço pelos jogos que fiz na Ponte. Conseguimos fazer 16 jogos até minha saída. Mas tem coisas que acontecem no futebol. Não conseguimos os objetivos deste início de ano. Perdemos a Taça do Interior, saímos da Copa do Brasil… quando isso acontece, um clube como a Ponte tem que fazer ajustes. E passei por essa reformulação financeira, de enxugar o elenco.

E agora o que você planeja pra sua carreira?
Quando isso acontece, você tem que entender e seguir sua vida. Minha vida não parou ali. Só tenho a agradecer pela Ponte, pela oportunidade, pelos profissionais que são Jorginho e sua comissão técnica. Tô na torcida para a Ponte conseguir o acesso à Série A. Ainda aguardo contatos para acertar com algum clube e dar continuidade à carreira.

Fonte: Terra