Em 14 jogos, Camilo balançou as redes cinco vezes e distribuiu quatro assistências.

A volta ao Rio de Janeiro, sua cidade natal, após 12 anos longe proporcionou talvez o gol mais bonito de sua carreira, em lance acrobático concluído com bicicleta durante a vitória de 2 a 1 do Botafogo sobre o Grêmio, no último domingo. O reencontro com as suas origens pôs o meia de 30 anos em contato mais uma vez com a comunidade em que cresceu, Cidade de Deus.

O seu pai, Geraldo, mora até hoje na Zona Oeste da capital carioca.

Ele é um dos personagens da infância do atleta que ajudou a moldá-lo e transformá-lo em destaque do Brasileiro após ficar cinco meses sem receber no Al Shabab, da Arábia Saudita, e deixar a equipe.

Ao retornar para casa, realizou um dos sonhos de Seu Geraldo e fechou contrato de dois anos com o Botafogo.

Camilo rodou por mais de dez clubes antes disso.

Os passos iniciais foram dados na Cidade de Deus. Através de um projeto social, fez teste no América-RJ, entrou aos 11 anos e seguiu no time até os 18. O primeiro salário foi depositado na conta somente aos 16, R$ 300.

Com dificuldade financeira, era obrigado a se virar nas férias para contribuir na renda familiar.

Entre outras funções, o camisa 10 trabalhou como cobrador de van entre uma corrida e outra deixando os pés de lado e gritando a cada parada para atrair passageiros. Ele era o responsável para arrecadar o dinheiro durante o trajeto também.

“Nas minhas férias, procurava correr atrás para ajudar a família. Trabalhava em van com bilhete, gritava para chamar passageiro para a condução, essas coisas todas”, relembra Camilo ao ESPN.com.br.

“Fui cobrador da van que o meu tio dirigia. Você até conhece as pessoas que sempre passavam no mesmo horário, às vezes não tinham dinheiro para pagar. Eu deixava elas passarem, porque sabia que no dia seguinte elas iam pagar. Fazia isso mais nas férias, porque treinava durante a semana. Pegava o tempo livre para fazer uma grana”, completa.

A recompensa por todo esse esforço veio em seu primeiro grande contrato, ao se transferir do Marília-SP para o Cruzeiro, em 2008.

No ano seguinte, deu uma casa para os pais.

Agora, embala o desafio do Botafogo de se afastar de vez da zona de rebaixamento e se manter na parte de cima da tabela.

Fonte: ESPN.com.br