Quando o Botafogo anunciou a mudança para a Ilha do Governador, a notícia foi bem recebida pelos moradores. Em tempos de crise, o estádio sediar jogos badalados seria uma oportunidade para incrementar a renda. Às 16h desta quarta, no duelo do Alvinegro com o Fluminense, a arena recebe seu segundo clássico no ano. Mas divide opiniões.

Quem trabalha com bebidas é só sorrisos. Em dias de jogo, o consumo saltou.

— Quando tem partida, vendo o triplo — festeja Antônio Cleber, dono de um trailer em frente ao estádio, que já carregou as geladeiras para a demanda de hoje.

Antônio Cleber brinda à nova fase da Arena
Antônio Cleber brinda à nova fase da Arena Foto: Fabio Guimaraes / Agência O Globo

Para o Botafogo, a mudança também foi boa: em cinco jogos, foram três vitórias, um empate, uma derrota. No Brasileiro, passou a ver o Z-4 mais distante.

Moradora da Portuguesa há sete anos, Ane Silva comemora os números — mas os de seu estabelecimento. Há quatro meses, ela herdou uma oficina mecânica devido à morte do pai. Estudante de direito, contratou um funcionário e encarou o desafio.

Com o Botafogo de vizinho, chamou as amigas e passou a vender bebidas e lanches. Agora, em dias de jogo, a “Oficina do Nicolau” vira a “Barraca das moreninhas”:

— A renda cresceu 50%. Já mandamos até fazer faixa e uniforme.

Márcio Valle lamenta o prejuízo dos taxistas
Márcio Valle lamenta o prejuízo dos taxistas Foto: Fabio Guimaraes / Agência O Globo

Jogos também levaram problemas

Como no futebol, nem todos saem ganhando. Para os moradores, a movimentação de torcedores também trouxe brigas, lixo e cheiro de urina pelas ruas. No ponto de táxi em frente ao estádio, as queixas são grandes.

— A interdição das ruas nos deixou bem longe do estádio. Por incrível que pareça, quando há jogo a arrecadação é ainda pior — lamenta Márcio Valle, presidente da Associação de Taxistas Portuguesa Carioca.

Fonte: Extra Online