Os jogadores do Botafogo não vão dar entrevistas por conta do atraso salarial. Também cancelaram ações de Marketing. As opiniões de jornalistas se dividem em relação ao assunto. Alguns defendendo o sagrado direito de se protestar quando não se recebe em dia. Outros, consideraram a medida exagerada. Sou do time que não encontra anjos neste episódio.

De fato ninguém gosta de trabalhar e no fim do mês não ver a grana depositada direitinho na conta bancária. Todos nós temos os nossos compromissos financeiros e eles são proporcionais ao salários. Quem ganha bem como um jogador de futebol de grande clube normalmente ganha, também tem um alto padrão de vida para sustentar.

Dessa vez, na minha humilde opinião, a medida está sendo tomada na hora certa. Não há jogos em um horizonte curto e mostrar a insatisfação mesmo honrando os compromissos é prova de responsabilidade e profissionalismo.

Erro houve na Copa do Brasil

Mas que fique claro que este elenco nem sempre agiu assim. Os protestos às vésperas do jogo decisivo com o Juventude pela Copa do Brasil, inclusive com a decisão de não se concentrar, não foi a melhor decisão. A folha salarial do Botafogo, somando direitos de imagem e CLT, gira em torno de R$ 3 milhões. Ganhar do Juventude e depois do Vila Nova-GO, por exemplo, garantiria alguns meses de tranquilidade. Isso para não falar da falta de vontade vista nos jogos pelo Estadual.

Logicamente que não estou colocando nos atletas a culpa pelo atraso salarial. Muito menos inocentando a gestão de Nelson Mufarrej, presidente mais criticado por mim nos últimos anos. Mas é preciso que todos em General Severiano tenham a exata noção do que seus gestos podem representar.

CURIOSIDADE

Uma simples visita ao site do Botafogo nos permite ver uma distribuição de cargos e funções capaz de deixar Brasília corada de vergonha. O clube apresenta em sua estrutura um vice-presidente de estádios, um vice-presidente de patrimônio, um diretor de complexo esportivo, um diretor da sede de Marechal Hermes, uma diretora social do complexo, um diretor de patrimônio e por aí vai. Nem sei se todos ainda estão em suas funções, já que a informação não é o forte da gestão Mufarrej, mas em algum momento estiveram todos juntos. Independentemente de todos serem ou não remunerados, é muito cacique para poucos índios. E o glorioso Mufarrej ainda não sabe se vai colocar alguém na vaga de vice-presidente de estádios deixada por Anderson Simões. Ninguém merece!

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