Eduardo Barroca não é um mau treinador. O coloco no grupo que vem tentando impor um estilo melhor de jogo ao futebol brasileiro. Porém, apresenta sérias deficiências. Uma delas, por exemplo, é mexer muito mal no decorrer dos jogos. Porém, de um tempo para cá, não sei se pela pressão, vem cometendo um erro grave: valorizar feitos que não devem ser valorizados ou tentar esconder a realidade. Isso porque tem se fechado em um maravilhoso mundo que não condiz com a realidade que observamos no cotidiano do Botafogo.

Elogiar a atuação do time no empate com a Chapecoense é algo que não dá para aceitar. Jogando em casa, contra um time na zona de rebaixamento, o treinador comemora um cabeçada e um cruzamento dizendo que o volume de jogo foi bom no primeiro tempo. Aí já é abusar do que chamamos de bom senso.

E não é de hoje que Barroca observa um mundo maravilhoso onde não existe. Afirma que Diego Souza dá peso ao time por conta de sua história na competição. O que o faria dar peso ao time, meu caro treinador, é colocá-lo na sua real função dentro de campo.

Respeito não é submissão

Barroca precisa entender que respeito ao clube e a seus superiores não significa submissão ou tentar esconder a realidade. Quando explicou o aproveitamento dos jovens pelas perdas que sofreu ao longo da temporada se aproximou do que se espera de um comandante de verdade. Faltou dizer que a atuação contra a Chapecoense está longe do ideal.

Que fique claro que Barroca não pode ser considerado culpado pelo atual momento. Mas, se insistir em defender atuações como a de segunda-feira vai encurtar a sua trajetória como técnico. Que seu maravilhoso mundo do Botafogo não atrapalhe mais o próprio Botafogo.

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